Mostrando postagens com marcador Metal Gear. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Metal Gear. Mostrar todas as postagens

23 de junho de 2016

Metal Gear Solid: Peace Walker - A Mudança de Paradigma

Bem amigos da Mother Base, como estão?

Seguinte, eu bem poderia falar do Portable Ops, uma vez que falei dos 4 primeiros jogos numerados da franquia. Mas... Por que não?



Simples: eu não o terminei. Sequer tive saco pra isso.

Ele é ruim? Não! Ele é bom? Não. Ele é um jogo bom e um MGS ruim? Quase isso. Na verdade, só explicando com detalhes que vocês entenderiam o que senti jogando.

Acontece que apesar da boa narrativa, que nem foi escrita por Kojima, Portable Ops peca fortemente no quesito "jogo". Vocês já devem ter visto milhares e milhares de cidadãos que dizem que MGS é mais filme que jogo, Portable Ops é digamos o contrário, codecs sem dublagem, um bom enredo que segue a passos de tartaruga e um sistema nada prático de recrutar soldados entediam o jogo.

Isso sem contar na bendita obrigação de fazer side missions genéricas, chatas e com game design duvidoso.

Então, com essa recepção duvidosa, Portable Ops ficou no meio do caminho, sendo um dos jogos mais mornos da sua época, algum dia eu termino ele e falo dele com mais calma. Então, com isso, em 2010 foi lançado Peace Walker, um jogo com boa parte das ideias de Portable Ops, mas dessa vez dirigidas por Hideo Kojima, quem tanto amamos e respeitamos como um deus vivo.



A verdade é que Kojima como criador, idealizador e mente brilhante por trás de tudo, gosta das ideias de Portable Ops, e até o consideram canon pra franquia, então fez a sua sequência.

Aqui, em Portable Ops, são 10 anos após os eventos de Snake Eater, e 4 após os de Portable Ops. Snake construiu uma base chamada Militaries San Frontieres, chamada de MSF porque ninguém merece esse nome gigante.

A MSF era uma nação militar, parte das ideias mal interpretadas por Snake no último pedido de sua mentora The Boss. Ideias que ele insistiu até boa parte do fim de PW, quando finalmente entendeu  o que ela queria.  Essa nação, foi reconstruindo aos poucos e de repente recebem uma missão de Zardonov, um cara da KGB que pediu uma certa missão à Snake, e junto com ele levou Paz Ortega, Paz é uma agente da paz que carrega consigo um trocadlho de bosta com o nome dela e com o nome do jogo.


A recompensa era simples, uma base inteira. E recursos pra ela. Logo, com o passar do jogo vamos aprendendo a usar esses novos recursos entre eles o Fulton. Um balão (mágico) que colocamos nas costas de soldados parcialmente feridos ou com lindos efeitos de tranquilizante e bingo, eles saem voando em direção à Mother Base.

Se eles aceitam entrar? Claro que sim. Isso é um mero aspecto mecânico, não cobre lógica disso, do contrário, terá de cobrar de muitas outras coisas que deixam MGS uma franquia tão única. Então, cale-se.

Junto com soldados, ganhamos novas áreas na base, desenvolvimento, criação, medicinal, inteligência e etc. Tudo isso em prol de ganhar recursos, armas novas, melhorar as que já temos e etc. Uma puta ideia pra te manter preso jogando.

A história é boa, muito boa, mas é óbvio que deram uma "importância menor" pra ela em comparação aos outros, algo que só piora de vez em Phantom Pain, que já terminei e em breve falo dele. Mas não, ela não é ruim. Mas tem um ponto... Bem... Vejamos... Estúpido. Sim. Isso é a palavra chave.



Não acho aceitável o que fizeram com a The Boss no jogo, é forçado demais pra mim. Mas todo o resto é realmente muito bom. Agora, pra ser "menos filme" e mais jogo, MGS PW tem consigo uma ideia de dividir o jogo em missões, uma notável limitação de hardware do PSP, e que não impediu o jogo de ser assustadoramente lindo.

As missões principais e extra ops do jogo são incríveis (chupa Portable Ops) permitem um período bem grande de jogatina e diversão, exceto pelos controles do PSP que são hediondos em alguns pontos.

É normal mirar com R e atirar com quadrado, mas é horrível controlar o personagem com o disco analógico do PSP e virar a câmera com o D-Pad, e as batalhas com chefes são impiedosamente difíceis então exige um reflexo que raramente os controles colaboram a não ser que você seja fissurado por huntin' games do PSP como Monster Hunter.

Estranhamente fica mais tranquilo se souber pedir recursos (o que vai usar MUITO), depois de algumas horas de jogo e PRINCIPALMENTE quando se faz as extra ops e adquiri o necessário pra criar novas armas. Isso é bom e ruim, bom pra quem quer jogar e ruim pra quem sente a experiência da narrativa de MGS acima da mecânica. No meu caso, eu gosto dos dois e não tive problemas mas era um saco em alguns casos, mas foram casos raros. A curiosidade do enredo me fazia jogar e a mecânica era agradável apesar do lance da câmera, que frequentemente eu tinha que lembrar o quanto era difícil nos chefes.



Mas... Apesar de tudo, muita gente se incomodou com a obrigação de evoluir no jogo, pra pegar armas ou melhorar o esquadrão o suficiente pra fazer elas, mas eu achei simples. A cada missão eu pegava um certo número de soldados e enviava pelo Fulton, com isso eventualmente cheguei num ponto onde mais sobrava que faltava, e eu mesmo distribuindo pelo sistema automático do jogo, não foi o menor problema.

O maior problema do jogo nesse ponto ao meu ver é a idiotice que se é necessário pra ver o verdadeiro final do jogo. Ao zerar, ele não conclui "totalmente". Snake entende a mensagem da The Boss e o jogo continua (????).

Porém, há de ser feito várias coisas pra se ver a missão final e não dá pra falar sem spoiler, mas são coisas TÃO específicas e relativamente bobas pra enfrentar um robô pilotado por uma pessoa doida de biquini (não, não é uma piada, definitivamente [e infelizmente] não), que vai te fazer se perguntar se valeu à pena.

E o pior é que vale. O final real é bem legal. A batalha final é uma das melhores lutas do jogo e simplesmente vale o esforço, mas o jogo mal te orienta a fazer o que é necessário pra isso. Então existe uma "falta de direção".

Impressionante como tudo nesse jogo funciona bem pra um portátil até certo ponto e como a imersão dele é alta, isso inclui cenários, músicas, chefes (que são todos robôs) e etc; Peace Walker é de fato um MGS de portátil digno, que merecia uns ajustes.



E recebeu, na versão HD do jogo, adquirida somente se comprar o HD Collection e ainda vem com o 2 e 3 em HD remasterizado. Ou seja, os poucos problemas do jogo, foram totalmente arrumados.

Menos a parte da The Boss... Mas isso aí é algo imutável. Infelizmente.

Bom, acho que o próximo post de Metal Gear é sobre Phantom Pain, afinal, Ground Zeroes é a miséria manifestada em forma de jogo quando se trata de campanha apesar da vida útil dele não ser tão curta quanto insistem em dizer.

Porém, papo pra outro dia.

1 de março de 2015

Metal Gear Solid 3 - Tem Como Ser Superado?


Metal Gear Solid é realmente uma franquia incrível, depois de jogar o revolucionário primeiro jogo e terminá-lo por três vezes, jogar o Rising e me apaixonar por aquele hack'n'slash realmente ultra bem feito e jogar o 2 que todo mundo odeia sem motivos que até hoje pudessem me convencer, resolvi logo em seguida jogar o 3.

Eu nunca fui bom em jogos de Stealth, na verdade sou uma negação mesmo em Metal Gear, e só consigo apreciar porque como eu disse várias vezes, ele não é frustrante. Ele é simples na execução de forma que não se torna cansativo ou tampouco repetitivo, maçante, etc.

Quando eu conheci Metal Gear Solid, foi por esse jogo. Comprei meu PS2 destravado de um amigo meu, e nele vieram muitos jogos. Entre eles, MGS3. Me lembro de ter colocado o jogo no videogame, ter cortado todas as cutscenes e começado a jogar e... meh. Na época foi isso que eu pensei: "meh".

Depois, os anos passaram, a gente ganha uma cabeça melhor e o Dipaula, meu amigo e postador esporádico aqui desse humilde blog doentio me recomendou que jogasse o primeiro porque supostamente teria muito "da minha cara", e apesar da frustração pra aprender a jogar, eu consegui e terminei.

Depois disso, fui pro tão odiado Risigin e pro pouco menos odiado MGS2 e decidi que jogaria a franquia toda em ordem de lançamento, afinal de contas, vamos ver o que foi acrescentado pouco à pouco.



E nisso, voltei ao terceiro game da franquia, aquele que eu tive contato pela primeira vez e não gostei tanto na época. O que havia mudado em minha mente? E no jogo em si, quais eram as mudanças dos anteriores pra esse? A resposta é TUDO! Sim, tudo! Tudo mudou, pra mim, e na franquia. O que chega a ser uma ironia.

Verdade seja dita, MGS2 tem um enredo mais denso que do primeiro jogo, ele reformula tudo que você acha que sabia e joga por terra, te entrega informações totalmente novas e modifica algumas coisas e apresenta uma metalinguagem completamente diferente do padrão de jogos da época e do próprio MGS1. Com isso associado ao trailer do jogo que mostrava somente Snake, a presença de Raiden e uma complexidade fora do normal, MGS2 se tornou um dos jogos bons realmente odiados por aí.

Que por sinal é uma puta boa ideia pra um futuro post, quem sabe?

Com tudo isso, as vendas apesar de tudo cresceram muito, Metal Gear Solid tinha em mãos a possibilidade de um investimento milionário e o que Hideo Kojima projetava pra lançar em novembro de 2004. Ele fez o que muitas empresas tentam a anos e falharam, mesmo que parcialmente.

Ele fez uma prequel! Vejamos, uma PREQUEL. Mas o que temos por referência de prequel? Jogos que explicam o começo de algo mas geralmente não acrescentam em porra nenhuma pra franquia ao ponto de serem descartáveis ou medianos o suficiente pra não ligarmos uma vez que concluímos tal jogo.

Temos muitos exemplos de como prequels podem ser medianas ou ruins como Batman Arkham Origins, God of War Ascension, Gears of War Judgement, Silent Hill Origins, e por aí vai. É muito fácil fazer um prequel meia boca somente usando o nome daquela franquia que tanto amamos pra nos arrancar uma grana rápida e fácil.

Mas Metal Gear Solid 3: Snake Eater é considerado por aí a MELHOR PREQUEL DA HISTÓRIA dos games. Não é muito sem motivo, duvidam? Eu espero que não seja seu caso, mas se for, espero que jogue Metal Gear Solid e que não comece pelo 3 mas se começar também não será um problema. O motivo?

Bom, essa intro ta longa demais, vamos começar essa porra antes que você tenha um AVC porque...

...sim.

Essa parte lembra um filme de ação, só que jogável.

Saco devidamente puxado, vamos ao que interessa, MGS3 tem um enredo mais simples que os dois anteriores, e ironicamente ainda melhor. Basicamente, se você jogou o 1 e conhece Solid Snake, você sabe o que ele é, e se jogou o 2 sabe que rumo ele tomou da vida, então, o que rola é o seguinte:

No 3 conhecemos o Snake original, Naked Snake. Um soldado da CIA enviado à União Soviética durante o período da Guerra Fria (1964) pra investigar o que diabos aconteceu com Sokolov, cientista sequestrado. Esse cientista desenvolvia uma arma da qual a URSS tinha interesse em usar e com isso foi feito o sequestro, porém The Boss trai os Estados Unidos no meio da missão e com isso um ataque feito por Volgin à própria União Soviética tem culpa caída sobre The Boss, ou seja, os Estados Unidos eram acusados injustamente e teríamos um excelente motivo pra começar uma Terceira Guerra Mundial.

Mais do que isso me aperta o coração mas não posso falar, tudo em MGS3 envolve plots twists geniais e tão bem feitos que fariam seu cu cair da bunda em dois segundos. Apesar da narrativa mais digamos... Comum, principalmente se comparado ao 2, MGS3 faz bonito e muito e conduz a história de maneira genial, porém num ritmo mais lento. porque o jogo que antes, era um ritmo mais constante de história, agora se "divide" em partes de gameplay e partes de história, é como se o jogo tivesse partes de se "jogar" e partes de se "ler/ver". Existe uma maior separação e por conta disso, o jogo é levemente maior que seu anterior.

Antes de mais nada, gostaria de dizer que se possível, jogue na ordem de lançamento mas se começar pelo 3, pegará o começo de tudo mas por sorte não tem spoilers. Bom, até tem algumas datas nos créditos mas não atrapalha muito, mas ainda assim o ideal seria que começasse pela ordem lançada pra ir se acostumando com a jogabilidade que só foi melhorando e também pra não tomar possíveis spoilers como é o caso de se jogar o 2 sem jogar o 1. Mas já que começando a falar de mecânicas, vamos lá!


O gameplay foi totalmente reconstruído, tudo do zero. Algumas coisas ficaram como pendurar por aí, rastejar, atirar em primeira pessoa, mas muitas novas foram colocadas de forma brilhante como o CQC - Close Quarter Combat, sistema que permite agora brincar (no mais perverso dos sentidos) com os inimigos agarrando eles, e logo após jogando no chão, usá-los como escudo humano, dando uma bela estrangulada, cortando sua garganta e demais coisas. É um sistema completamente reconstruído e envolve muito mais coisas como partes de ação mais frenética porém nada genéricas, maior refinamento na arte de esconder ou fugir e maior inteligência artificial dos inimigos.

Por sinal, essa IA ta muito boa, se ela já é boa assim no Normal, nem gosto de imaginar como é nas dificuldades posteriores. Ainda mais que eu sou uma negação nesse tipo de jogo. Então...

Uma coisa que aumentou junto com a imersão foi o tamanho dos cenários, eles são gigantescos e como eu joguei a versão HD, tive acesso à versão remasterizada do Subsistence, acontece que no original a câmera era fixa e eu pude perceber que o cenário era grande demais pra tudo que ele tem a oferecer, nessa segunda versão eles botaram a câmera livre em terceira pessoa favorecendo muito ao jogador, devido à complexidade do ambiente. Dá pra notar isso na batalha dos chefes por exemplo, que na câmera fixa acaba sendo difícil pra caralho por motivos errados, por não ter o devido acesso à área de tão grande que ela é. Com a câmera livre ficou tudo mais maravilhoso que o mundo da Alice. Então beleza.

Uma das lutas com o jovem Ocelot, bem bacana inclusive jogar abelhas nele

Falando nos chefes, eles são ainda melhores, as batalhas do 2 eram criativas mas no fundo eram parcialmente uso das ideias do 1 e não muito melhores apesar de muito das fodas, mas no 3 tudo muda. As batalhas são completamente diferentes e relativamente desafiadoras numa primeira jogada e extremamente bem boladas, divertidas e até se usa o cenário selvagem a seu favor e os chefes fazem o mesmo. Basta notar nas lutas como The End ou The Fury. São simplesmente geniais e extremamente divertidas. Instigantes. A palavra certa seria instigante mesmo. E melhor ainda é que se pode matar os chefes de mil formas diferentes, há MUITOS recursos e um deles é o fato de serem iguais a nós, ou seja, tem uma barra de life e a outra de stamina, usando o tranquilizante (MK22) você pode vencê-los e ganhar alguma recompensa com isso nos trajes.

Parte da graça do MGS3 é também a camuflagem de Snake, de acordo com o cenário ambiente ela te permite ficar mais ou menos camuflado e com isso aumenta ou diminui o tempo de procura dos inimigos quando te percebem. E essa parte envolve disfarces e a porra toda, é extremamente bem construído e de longe dos acréscimos mais divertidos do game.

Agora, a parte mais imersiva é de longe o quanto Snake se machuca. Por vários motivos. Exemplo, se você se envenena e tenta atirar, ele vai errar, se botar a câmera em primeira pessoa, ele vai ficar com a mira balançando mostrando que tem algo errado, os efeitos do jogo não são mero dano, muitos alteram a mecânica pra melhor ou pior. São esses os pontos mais importantes na imersão de MGS3 somado aos pontos opcionais onde podemos dar Zoom, olhar pra qual ponto bem entendermos em cutscenes e demais situações que temos uma liberdade maior pra interagir no meio da invasão.

É simplesmente muito foda viver o clima de velharia com Snake, lugares com cores opacas, usando rádio, armas antigas e uma galera nova te ajudando, dos quais se destacou pra mim Major Zero e não desgostei mas gostei menos da Para-Medic do que de Rose ou Mei-Ling das ajudantes de Codec dos jogos anteriores. Acontece que a Para-Medic só fala de filmes e como eu não sou o maior apreciador de cinemas do mundo, era só chato pra mim. Sou suspeito nesse ponto.

Camuflagem é a grande novidade do game. Simplesmente incrível!

Um personagem formidável é Eva, mas não posso falar muito dela pra não spoilar e é legal conhecer o jovem Ocelot, que por sinal apanha bastante no jogo mas ainda assim tem um destaque e um carisma gigantesco.

Outro detalhe importante da história de MGS3 é que ele é mais cabeça em muitos pontos, aborda guerra (claro), mas aborda também o sofrimento dessas pessoas de muito perto (só zerando pra entender), homossexualidade, política, tortura e por aí vai. Tudo que MGS tinha de adulto ficou potencializado no 3 e principalmente a parte da tortura e da homossexualidade.

Na boa, eu consigo imaginar uma pessoa conservadora tendo crises de pânico só de imaginar determinadas cenas do MGS3. Assistiria com um saco de pipocas gigantesco e uma boa coca-cola geladinha. Mas voltando ao foco.

Se o gráfico do jogo já é foda (em HD ficou bem feito pra porra), com excelente gameplay e um puta enredo com milhões de plot twists do começo ao fim (literalmente), então o que faltava pra tudo ser perfeito?

Imersão total. E pra isso devo reforçar a ideia das músicas! Jogue com fones de ouvido (tipo o meu do PS3 7.1) ou então com Home Theater muito do bom com caixas de som bem posicionadas e sozinho em casa, vai ajudar muito! Porque o trabalho sonoro do jogo ta genial.


Caralho, como elas ficaram ainda melhores. Harry Gregson-Williams compôs tudo dessa vez ao lado de Norihiko Hibino e tudo ficou ainda melhor. As músicas são absolutamente críveis e parecem pertencer ao mundo de MGS3 de uma maneira tão inacreditável que cada chefe tem uma música de batalha tão incrível que elas ficaram pra sempre na minha memória. Todas elas. Sem exceção. A música de alerta também mudou e ficou ironicamente com clima de selva e muito melhor que as anteriores também. Tudo em MGS3 é um gigantesco passo à uma nova revolução.

A mesma revolução que Metal Gear teve no MSX e que o MGS1 teve no PS1. Esse jogo simplesmente reconstruiu ainda mais tudo aquilo de bom que MGS2 já tinha. É absolutamente impecável.

Olha, muita gente considera esse jogo a melhor prequel de todos os tempos e confesso, eu concordo. É difícil discordar até. Se você me conhece do blog sabe que eu não pego leve com falhas e erros mas é como se MGS3 fosse imune aos erros, é um jogo construído com o mais profundo esmero e amor ao que se faz de maneira tão absolutamente incrível que é por motivos assim que muita gente chora com o final dele. Eu não chorei, mas passei perto. E eu sou um cara relativamente amargo demais pra isso.

Mas o final é brilhante, absurdamente brilhante. Não há palavra melhor que isso pro desfecho.

Imune à erros, ao tempo, ao envelhecimento, e à tudo que poderia algum dia estragar essa verdadeira obra de arte. MGS3 é absurdamente recomendado por esse chato do blog como forte candidato à melhor jogo de 2015 que joguei.

Lembrando que mal começamos o ano, ainda tenho que jogar o 4 e ver em qual lado vou ficar, porque assim como o 2, metade o ama e a outra o odeia. Qual será o meu lado escolhido?

"I'm not a hero. Never was, never will be."

E sim, vou falar de todos os Metal Gear Solid no blog. Lide com isso! E jogue, jogue muito, jogue outra vez e jogue de novo. Porque Metal Gear Solid nunca é demais. E acredite, Metal Gear Solid pra variar, nunca termina como a gente imagina que vai ser, o final do 3 é um esclarecimento de tudo que rolou antes dos eventos de Shadow Moses começarem, revela muito do que aconteceria futuramente e principalmente termina de forma tão nada óbvia que assusta e te causará uma culpa gigante do que fez no ato final do jogo.

7 de janeiro de 2015

Metal Gear Solid 2 - Apesar do Choro, Um Passo à Frente


Metal Gear Solid é uma franquia fantástica que conheci de forma muuuuuito tardia, com isso, comprei o The Legacy e simplesmente comprei o Rising junto.

Já falei do primeiro e do Rising, e gostei muito de ambos, e como não sou um cara estúpido que joga por ordem cronológica, óbvio que jogarei por ordem de lançamento.

Afinal de contas, como toda e qualquer série, MGS vai lançando e botando elementos novos em todos os pontos possíveis e eu poderia e com toda certeza tomaria uma chuva de spoilers.

Com isso em mente, aguardei o momento certo, ritmo de trampo diminuiu e tive mais tempo possível pra jogar Metal Gear Solid 2.

O jogo visto como ovelha negra da franquia, o mais odiado e um dos jogos (bons) mais mal falados de todo o PlayStation 2 estava nas mãos do cara chato que é visto como hater.

E agora? O que aconteceria? Vamos "espionar" pra ver o que acontece?

Sentiram a potência da piada ruim? Acho que o ideal seria "espiar", mas ok, vamos embora antes que o de Nóbrega me contrate.



Mas à respeito de MGS2... Será que eu gostei? Será que eu odiei? Será que o mundo entrará em colapso por falar de um jogo desses no primeiro post do ano de 2015? Não percam no Globo Reporter logo abaixo.

Eu dessa vez quero começar a falar pelas mecânicas, olha, começou tudo bem. Porque basicamente, vamos pegar o jogo original do PS1 (que é melhor que o remake, todos nós já sabemos disso) e em suma, é um jogo excelente, que envelheceu super bem e tem mecânicas absurdamente funcionais, então, o que impedia ele de ser usado como base e ainda incrementar coisas que fossem boas o suficiente pra melhorar? Nada. Correto?

E assim foi feito.

Snake agora tem um leve avanço e Raiden no lugar tem uma estrela que faz girando seu corpo, e absurdamente tudo foi melhorado, esconder ficou mais intuitivo (e mais difícil, explico no decorrer), agora temos uma visão em primeira pessoa que permite atirar (no MGS1 era pra somente aumentar a visão e nada além) e vários outros pormenores como uso de cartões sem ter a necessidade de segurá-los.


Verdade seja dita, se você tem o cartão, não precisa ficar selecionando ele a cada porta que vai abrir, isso era chato no 1. Não incomodava mas é chato. Esses detalhes colaboram pra um aumento de fluidez no decorrer do jogo, tipo aquele bom e velho game design, ta ligado?

As mudanças em suma são normalmente pequenas, mas absolutamente funcionais e significativas justamente pelo meio de utilizar tudo à longo prazo. Então mecanicamente falando, esse é o ponto melhor.

Agora, uma coisa que não incomodava mas era fato é que no primeiro jogo, ao ser detectado pelo inimigo, você ficava um tempo sendo procurado e depois tudo voltava ao normal, mesmo que os seguranças ficassem levemente mais atentos.

No 2, eles melhoraram isso e deixaram tudo mais digamos... Convincente. Vamos imaginar a seguinte situação. Você tá lá e é descoberto. Eles te procuram, você conseguiu se manter escondido, porém não é só a atenção deles que aumentam. Primeiro eles chamam uma tropa de segurança pra escanear o local, e com isso se você der mole, vai ser fuzilado, porque de fato, tem MUITO soldado atrás de você, te obrigando a usar o stealth ainda mais.

Levando em conta, que ele segue a linha do primeiro, não é absurdamente realista e tampouco frustrante, mas é convincente e gostoso de jogar, mesmo pra mim que cago e ando pra jogos do gênero.

Uma outra adição muito boa é que botaram armas com tranquilizante, pra você não ser obrigado a usar o estrangulamento, que por sinal agora funciona muito bem. Mas é mais legal simplesmente botar os caras pra dormir e ir avançando. Mas é aí que tem outra coisa muito foda, que é o fato dos soldados terem a IA bem maior. Quando um soldado vê o outro dormindo, ele soca ele, dá chute, tapa na cara, acorda ele na base da pancada mesmo mostrando que ele ta sendo um péssimo soldado e eles acordam todos espantados e dá pra dar umas boas risadas usando esses artifícios.

Um outro bacana é a movimentação, os soldados dormem, acordam, espreguiçam, conversam, tem reações e quando você ta bem perto deles e mira neles o seu personagem diz "FREEZE" e ele levanta as mãos pra cima e dependendo do soldado ele pode reagir ou ficar só tremendo de medo. Isso é um detalhe que achei bem foda e totalmente indispensável em jogos futuros.


Por último, das adições que me lembro teve uma bem interessante que é a possibilidade de se esconder em armários e não só isso, como matar (ou botar pra dormir) e simplesmente botar o corpo (ou cadáver) lá dentro.

Vocês tem ideia do quão variado o gameplay se tornou do 1 pro 2? Sério, vocês conseguem ter essa noção? Mudou muito e pra muito melhor. 

Ufa, falar das mecânicas ficou grande, eu sei, mas ainda tem o resto. Então ajeita essa bunda na cadeira e bora continuar lendo.

Gráfico dele no PS2 era bonito, porém relativamente modesto, como joguei na The Legacy do PS3, tive a oportunidade de jogar o remastered em HD, então o que posso dizer é que de fato, ficou bonito. Diferente de alguns jogos *COF* *COF* God of War *COF* *COF* que são meramente esticados e até meio feios de se ver em "HD".



Tem bastante detalhe adicionado nos cenários, rostos, expressões e etc, não é muito difícil notar a diferença.

E agora venho falar dos dois pontos mais fortes desse jogo e as duas principais evoluções do primeiro título: as músicas e a história.

As músicas por terem qualidade de som maior, foram feitas com mais ousadia, basta pegar a tema de batalha do primeiro, que é MUITO foda, e comparar com a do segundo. A do segundo tem mais detalhes, por exemplo, a música dos chefes tem alguns "ruídos" bizarros no meio da música, causando a sensação correta de algo perigoso porém com tons de fantasia dentro de contexto militar.


Se ouviram, deu pra ver que tem bem mais coisas, isso é devido à notável qualidade de áudio melhorada de CD pra DVD que fora usada do jeito certo, botando mais coisas na música tornando ela muito única. Singularidade total nessa trilha sonora.

Agora, o ponto da história é de longe o mais debatido e questionado da série e principalmente nesse segundo jogo. Afinal de contas, o que aconteceu?

Se você jogou o primeiro jogo sabe tudo que aconteceu em Shadow Moses e o final canônico. Com isso, o 2 começa com Snake invadindo um navio, o Tanker, esse navio havia suspeitas de estar com um Metal Gear dentro e Solid Snake não mais pertence à FOXHOUND.

Ou seja, FOXHOUND depois do primeiro jogo acabou, dois anos se passaram e agora Snake trabalha sozinho com Otacon e do nada tudo dá errado, a porra desanda, Ocelot aparece, diz que não ta roubando o Metal Gear e sim pegando de volta e Snake é dado como morto nessa bagunça toda.

Com isso, dois anos se passam e Raiden é enviado por Campbell à mando de quem? Foxhound. Pra onde? Big Shell. O que é a Big Shell? A plataforma responsável por limpar o vazamento de petróleo do incidente do Takner que ocorreu dois anos atrás na explosão do navio que Solid Snake estava.

Então, o primeiro feeling ao começar o jogo com Raiden é:

"Que porra é essa?"

Oi gente, eu voltei. Ou melhor "voltei".

Mas não no sentido ruim, não pra mim. Eu gostei pra cacete dessa ideia, afinal de contas, tinha que ter alguma mirabolância envolvida, e como tem. Minha nossa!!!

Na verdade, tem até demais. A proporção do enredo subiu tanto que muita gente desgosta por essa razão, uma razão deveras compreensível. Conheço algumas pessoas que gostaram do primeiro Solid justamente por ser mais sóbrio. Ou melhor, "sóbrio". Porque ele já era bem exagerado, até porque eu não acho que tenha muita sobriedade numa história onde um inimigo possa ler mentes mentes nem coisas parecidas.

Então, o 2 pegou as ideias do 1, explicou elas de verdade, porque o que você sabia sobre Shadow Moses não era o suficiente e até em partes tava meio "errado", e com isso vai mostrando muitas coisas e mais informações sobre os Patriotas. Os patriotas são basicamente um grupo de pessoas que "segura" o mundo como ele é, por entender bem como as pessoas são e usam isso meio que "contra" elas, porém, Solidus Snake, vilão do jogo e irmão de Liquid e Solid, aparece pra tentar impedir.

Não vou dar muito mais informação que isso, mas algumas dicas não custam nada.

Se você pensa como eu e achava Liquid Snake um vilão final meio sem graça (afinal ele só fez tudo no 1 por inveja) porém carismático, fique tranquilo, Solidus dá de 10 a 0 em motivação nele. Porém MUITA coisa muda e isso inclui o que você sabe sobre Liquid, Ocelot, Snake, Otacon, Raiden e demais personagem. Tudo que você conhece simplesmente vai cair por terra e vai te deixar absolutamente chocado.



Com isso tudo em mente, acho que o problema do Metal Gear Solid 2: Sons of Liberty pra muitos foi o excesso de informação. Afinal ele pega a ideia do 1 e bota ela num contexto ainda mais atual e amplia com tanta força que dá até medo. Mas muita gente rejeitou por isso. Sem falar no mimimi envolvendo o Raiden pelo simples fato dele não ser o Snake.

Me passa a impressão inclusive, de que o 3 não deveria ser uma prequel e sim uma continuação, mas o Kojima não poderia usar o Raiden por muito tempo devido à rejeição. Óbvio que isso é um palpite, mas até dizem isso sobre o 4 e não é muito difícil achar informações à respeito desse tipo de coisa porque há quem diga que o 4 deveria ser com o Raiden, mas novamente reforço de que são rumores, nada devidamente confirmado.

E sabe, Raiden é um personagem melhor que o Snake, mas se comparado ao Snake do 1, eu ainda não joguei nenhum dos posteriores (nada de spoiler nos comentários, viu?) mas comparando o Snake do 1 e 2 com o Raiden somente, ele já é mais profundo. Justamente por ter mais de si mesmo explorado. Solid é um soldado criado e etc, à partir dos genes de Big Boss, mas Raiden não. Ele teve um passado horrível, tem uma esposa que conta muito sobre ele nos CODEC's, e nesse ponto você vai aprendendo sobre ele e vai notando sobre a profundidade dele.

Eu joguei o 2 sem saber o que esperar, confesso. Diferente de muitos que jogaram tomando antipatia e outros que jogaram com hype, eu estava completamente neutro. É tanta gente falando dele ser ruim ou abaixo da média, ou pior de todos e alguns mais extremos até me recomendaram pular ele porque "não fazia diferença" mas isso é um tremendo equívoco.

Sim, você não leu errado. Um EQUÍVOCO e dos maiores. Os eventos do 2 são de crucial importância por vários motivos inclusive as explicações à respeito do 1, a introdução de Raiden, conhecemos outro lado (mais humano e profundo) do Solid Snake, temos um vilão melhor, e mais uma série de coisas que eu poderia falar mesmo sem ter jogado os jogos que vem subsequentemente só com tudo que eu joguei no 2.

Metal Gear Solid 2 é um jogo impressionante a cada segundo, as batalhas de chefe são marcantes mesmo as mais digamos... excêntricas como a do Fatman, que é um gordo que sai de patins num local espalhando bombas e temos que ao mesmo tempo desarmar as bombas e enfrentar ele sentando tiro no infeliz. E mesmo a batalha com o Vamp, que é um vampiro (literalmente, viu o que eu falei sobre nível de exagero subir) que enfrentamos num local fechado onde ele mergulha numa piscina e quando sai de lá ele começa a se esquivar das balas e com isso parece que ta dançando músicas da Shakira.

Sim, isso é sério.

Epic Moment

Mas apesar de tudo, acredite, ele é um jogo incrível e posso dizer claramente que ele é uma evolução do MGS1. Eu o considero com todas as letras MELHOR que o primeiro justamente  por pegar tudo que ele tem de bom e ampliar e eu jogo nesse pacote  personagens, músicas, exagero na proporção da história (que eu gostei e muito), profundidade, e até mesmo a variedade de missões por ter aumentado de forma considerável.

Se você quer uma opinião sensata sobre o MGS2, ele é um jogo tão bom quanto o primeiro, talvez sem tantos detalhes quanto o 1 mas a variedade nas batalhas e invasões é a mesma, as músicas são melhores, a história progrediu e demais outros aspectos de qualidade do jogo são tão grandes e bem feitos que sim, ao meu ver ele é melhor que o primeiro.

É um grande jogo, amado por muitos, odiado por muitos mais, mas definitivamente crucial pro entendimento da franquia, e honestamente, acho muito fácil se perder e não entender o jogo pelo excesso de informações, afinal de contas você aprende sobre GW, Patriots, objetivos de Solidus, e demais coisas e depois descobre tanto sobre tudo isso que é bem comum se perder.

Fora que nem tudo é o que parece. Isso torna as coisas ainda mais interessantes.

Mas claro, você pode falar que a culpa é do Raiden e por conta dele o jogo é ruim, porque assim fica mais fácil justificar a sua falta de atenção. Correto?

Agora uma foto do momento mais WTF do jogo só pra fechar com chave de ouro.

"sou tão foda que viro estrela sem as mãos e tampando o bilau"

De nada.

19 de novembro de 2014

Metal Gear Rising: Revengeance - O Jogo do Ódio Gratuito



Sabe um jogo bom? Tipo... Muito bom MESMO? Que beira o fantástico em sua execução e que geral odeia com toda força possível e imaginável?

Não, não estou falando de nenhum Final Fantasy e se for o VIII e o XIII merecem todo ódio possível mesmo.

Metal Gear é uma franquia fantástica, joguei somente o primeiro jogo e foi suficiente pra comprar todo o resto da franquia, porém...

...eu descobri que gosto de hack'n'slashes desde que sejam mais refinados tais como Ninja Gaiden, Devil May Cry 3 e 4 e consequentemente Metal Gear Rising. Depois de saber que os spoilers seriam praticamente mínimos, eu cocei de vontade de jogar, aí vi as DLC's do Sam e do Wolf de graça e baixei, e minha vontade ficou ainda maior. Aí eu vou lá e termino aquela abominação chamada Final Fantasy XIII e eu precisava jogar algo mais simples, focado em gameplay, que fosse refinado e eu não tolerei, mandei a ordem de Metal Gear Solid pro quinto dos infernos e fui jogar o Rising independente do quanto de spoilers eu poderia tomar.

Por sorte, são poucos, quase nada eu diria. Porque a história basicamente conta o rumo que Raiden tomou depois do 4. Geral diz que a conclusão é perfeita e por sorte o jogo não aborda ela de forma clara, fica tão vago porque eles preferiram focar inteiramente NESSE jogo que eu achei ótimo, porque isso é uma forma inteligente de pegar novos fãs pra franquia e dar aquela sensação "porra, que massa, vou ver se jogo os antigos agora" quanto pros novos porque fica focado na história o suficiente sem te dar elementos dos quais você já conhece e vão direto ao fluxo essencial que uma narrativa decente deve ter.


Ouviu Toriyama, um hack'n'slash tem um enredo simples e melhor que seu RPG de bosta.

A história é basicamente grupos querendo fazer a guerra voltar porque isso em um contexto atual seria a verdadeira natureza do ser humano, a natureza do conflito, existe um pouco mais por trás disso, existe um conceito pelo qual Raiden precisa amadurecer, e outros do próprio enredo envolvendo personagens como Sam ou mesmo a razão REAL voltar a existir na mente do último chefe. Que por sinal tem um diálogo ótimo e até inteligente com o Raiden.

Confesso, o enredo é simples, não tem metade das reviravoltas que o 1 tem e muito menos os outros títulos da franquia pelo que dizem, mas Rising é um spin-off e mesmo que não seja ele não faz diferença porque o 4 é o final da franquia, não joguei mas pelo que todos constam ele sim é um desfecho mas o Rising se torna inútil de certa forma em termos práticos de história, então ao meu ver um enredo simples pós-MGS4 usado de maneira coesa e bem feita, funciona muito bem. Mas o foco de jogos hack'n'slash é enredo desde quando? Só o fato de não ser uma briga de irmãos demônio ou um cara estereotipado metido a macho matando deuses porque sim já tá de ótimo tamanho pra mim.

Exceto por Darksiders, não me lembro de nenhum outro jogo do gênero tendo um enredo minimamente bem construído à ponto de atrair jogadores de fora do gênero pra jogar por história, coisa que eu vi com o Rising, e até alguns que foram pro MGS graças à ele.

Mas... Qual é o verdadeiro foco de todo hack'n'slash? O gameplay! Qual é o verdadeiro propósito de se jogar um jogo do gênero? Fatiar!

Então... Risinig pega justamente isso, imagina um jogo onde você pode despedaçar o cenário em mil partes, jogar com um personagem tipicamente frio e cruel que desmembra inimigos com o maior gosto possível e tudo isso com um gráfico assustadoramente lindo, mas lindo à pontos assustadores MESMO. Que venham as pedras, mas achei o gráfico melhor que The Last of Us, porém obviamente menos detalhado (porque nada do PS3 é mais detalhado que TLOU principalmente em termos de expressão facial) mas ainda assim impressionante ao extremo, por vários e vários motivos, como por exemplo as CG's, cenas de luta, QTE com chefes e por aí vai.

Uma das partes BREVEMENTE exageradas de MGR: Revengeance

O gameplay é simplesmente a grande e mais importante cereja do bolo, e digo mais, lembra o quanto eu disse que Ninja Gaiden é refinado? Metal Gear Rising chega perto, bem perto eu diria, mas não é tão complexo e variado em termos de combate, mas o simples fato de chegar perto é muito e até me impressionou.

Há várias coisas no combate, inicialmente o combate básico começa com a Katana de Raiden, depois pegamos a lança de Mistral, os sais de Monsoon e  o "machete" (ou seja lá o que for aquilo) do Sundowner e uma outra arma que é bem óbvia de tão na cara que é, mas seria um spoiler mais do que óbvio também.

Além do básico de sair andando, cortando e fatiando como um bom açougueiro de plantão, tem também o modo Estripador, do qual você corta os inimigos mais facilmente, uma coisa que normalmente só se faria com o modo katana no máximo já tendo atingido parcialmente o inimigo, além do mais, o combate é ótimo e tão refinado pra alguns mais preguiçosos é visto como trabalhoso ou burocrático e dos melhores que eu já vi de longe.

Eu por exemplo gosto de God of War por causa da temática e da mitologia grega mas é um jogo mediano na prática porque o gameplay é resumidamente um button smasher do quadrado do caralho, em Rising isso não acontece. Aqui o grande diferencial é o parry.


Quando um inimigo te ataca, você pode sair do ataque correndo um risco gigante de tomar ou pode usar a melhor ferramenta do jogo, que é justamente o Parry, ele vai te salvar de muita coisa o jogo inteiro e os combates com chefes são totalmente focados nisso e acaba sendo aquela "briga de foice" do qual você defende, e ataca, aí o chefe também defende e contra-ataca e por aí vai. As batalhas com chefes são MUITÍSSIMO emocionantes mesmo, vocês nem imaginam como fiquei em todas elas.

Os combates são inteligentes, estratégicos e muito rápidos, há muito do que ser feito e Rising ainda por cima é dos poucos, bem poucos jogos MESMO que sabe fazer bom uso de Quick Time Events, lembra que eu falei do Vanquish? Que era um shooter com pouco QTE e os poucos que tem são muito do foda. Rising bebeu da mesma água, tem muitos QTE's que funcionam exatamente na proposta do jogo, de segurar a espada, espancar algo e etc, mas fiquem tranquilos, não chega a nada perto da primeira versão de Ninja Gaiden 3 (do reboot da série) ou de esmaga botões como God of War e derivados.

De quebra, tem o sistema de absorção de energia dos inimigos que bizarramente é bem explicado dentro da história do jogo, geralmente esses elementos de gameplay são ridiculamente mal explicados e quando são e alguns casos tentam usar a "história" como base e só dá aquilo que chamamos de shitstorm. Mas nesse caso funcionou porque condiz com o universo de Metal Gear e nos mostra que Kojima fez o dever de casa.

Ai que fome.

Agora, quando a gente começa a espancar os chefes. Aí dá gosto vencer porque você quase sempre os finaliza com um dos melhores e mais importantes pontos desse jogo: você pega e FATIA os caras em vários pedaços.

Provavelmente inspirado nisso aqui:


Platinum Games provavelmente tem algum cabeçudo que adora Dragon Ball Z e que gosta MUITO mesmo do Trunks. Quase inegável.

Mas falando sério, a Platinum só tem jogo foda, quando anunciaram muita gente já ficou feliz logo de cara, porque eles fizeram Madworld do Wii (um dos meus próximos que jogarei, inclusive), Bayonetta e o meu amado Vanquish. Platinum é uma equipe de pessoas pequena e independente, que faz jogos excelentes, a Kojima Productions bem tentou fazer mas não conseguiram, o foco deles é outro tipo de jogo, então eles pediram a Platinum pra fazer e simplesmente escreveram o enredo, diálogo e representação visual dos personagens. Ou seja, tudo fora da parte mecânica de gameplay tem dedo do Kojima.

E tudo do jogo funciona tão maravilhosamente bem, que até as músicas de batalha são quase sempre cantadas, principalmente nos chefes e o mais absurdo... É que funciona muito bem. Não é aquela coisa chata de ouvir.

"Como assim não gostou das músicas?  Então é hora do Jack fatiar à vontade"

Funciona tão mas tão bem, que até assusta, porque você ta lá, ouvindo aquele som foda durante a pancadaria (ou "espadaria", vai saber) e de repente aparece um QTE pra dar aquela finalizada gostosa no inimigo e durante a metralhação de botões... "AND THEY RUN WHEN THE SUN COMES UP, WITH THEIR LIVES ON THE LIIIINE... ALIIIIIIIIVE"

E eu:

"Mas como assim caralhos? Que raio de música cantada foda do capeta é essa?"

Sério, eu reagi exatamente assim, eu tomei muito susto e um susto deveras positivo sobre isso. E mal era o primeiro chefe, porra. E ainda pensei que não viria músicas melhores mas tem sim.

The Stains of Time, Red Sun, Collective Consiousness, The Only Thing I Know For Real e principalmente It Has to Be This Way são simplesmente estrondosas, músicas fortes, com refrões marcantes, usados de maneira certa, na hora certa.

Uma delícia (Jailson approves) por exemplo fatiar um inimigo ao som do refrão da música tema dele. E o melhor de tudo que as letras do jogo tem a ver com aquela batalha com aquele personagem e não é uma coisa aleatória do tipo enfrentar um cara maluco com uma música falando de falta de chuva no nordeste. As músicas são assustadoramente coerentes com aquela situação e personagem.


É um jogo 10/10 apesar de dois pequenos problemas.

O primeiro é o fato de ser excessivamente curto, em torno de NO MÁXIMO 6 horas você pode muito bem finalizar o jogo pegando bastante coisa, comprando bastante upgrades (que são de extrema importância) ou achando os amplificadores de energia de Raiden. Mas isso é recompensado da seguinte forma: Raiden assim como qualquer Devil May Cry continua com todos os upgrades que tinha pra começar  o jogo numa dificuldade mais alta tunado até o limite. Confesso que o Hard fica consideravelmente fácil com os upgrades mas ele é mais um reforço pra você jogar o Very Hard e principalmente a dificuldade Revengeance, que carrega o nome do jogo.

O problema maior acabou por ser a câmera, que pra variar entrou na maldição dos hack'n'slashes fodas terem câmera de merda. Olha bem: Ninja Gaiden 1 e 2 do reboot, DMC3 e 4 e apesar de não ter jogado muita gente também xinga a câmera do Bayonetta, mostrando que todo hack'n'slash decente sofre da maldição da câmera, que é sempre lerda, retardada e acaba deixando você num ângulo totalmente desfavorável.

Diferente DmC: Devil May Cry, God of War de uma meia dúzia de hack mediano com câmera muito da boa, esse aqui novamente caiu no estigma do jogo bom com câmera de bosta.

Confesso que consegui me acostumar e adaptar e ainda aumentei a sensibilidade dela no menu pra dar uma aliviada na tensão que ela causa, mas ainda assim não a torna boa nem aceitável, ela é uma merda e deve ser vista e tratada como tal, eu consegui me virar mas entendo quem não conseguiu.

Pros jogadores do jogo que foram honestos o suficiente pra jogar original, vale o aviso das DLC's de Jetstream Sam e do Blade Wolf serem disponíveis na Live e na PSN de graça e tem algumas armaduras do Raiden pra serem compradas incluindo uma skin do Cyborg Ninja que ainda de quebra vem com uma espada bem filhadaputamente roubada e já inclusas na versão PC num preço obviamente menor.


Se querem saber, gostei das duas, são MUITO boas e aumentam ainda mais a breve longevidade do jogo de 6 pra 9 horas numa primeira zerada. Mas tenha noção de que são difíceis, trabalhosas e vão exigir TODO o conhecimento das mecânicas do jogo na hora dos combates de chefes porque vai ter que saber usar parry, esquiva, ataque defensiva e tudo mais. Principalmente na de Sam.

Fechando o post, eu digo claramente, meu hack'n'slash favorito ainda provavelmente é Ninja Gaiden Sigma até então, mas o fato é que Metal Gear Rising é mais completo, o fator replay é maior (do NG também, só que como a dificuldade é altíssima, é natural dar um tempo), a história não é "aceitável" ou "ruim mas da pra ignorar" e sim EXCELENTE, a narrativa, diálogos e eventos de Rising surpreendem em toda sua simplicidade mostrando que pra uma história ser boa ela não precisa ser complexa ou longa e de quebra se não conhece Metal Gear Solid, você pode muito bem se convencer a dar uma chance pra série com esse jogo. E como se não bastasse os vilões tem boas motivações, os diálogos finais são muito do foda e tem uma trilha sonora soberbamente marcante.

É Jack, suas piadas são ruins mesmo.

Eu juro que não entendo quem odeia o jogo, os motivos que vejo são "ah é o Raiden" ou "é uma história simples demais pra Metal Gear" mas é um hack'n'slash meu povo, não tem que focar nessas coisas, e ainda acho que esses motivos são pequenos demais pro alvoroço que o ódio desse jogo se tornou, ao ponto de menos de um ano de lançamento ele ser achado original a menos de 50 reais, em alguns casos até 20 ou 30. Dá até pra pensar que esse jogo é um abordo mal cozido sendo que ele é ótimo, e até mesmo tem partes de stealth totalmente opcionais como referência à série e isso porque você pode fazer ou simplesmente ignorar e descer a espada em tudo que se move.

Ele é mais um dos casos onde a crítica gamer entendeu o recado e curtiu MUITO o jogo dando notas altíssimas enquanto os fãs preferiram se fazer de revoltados dizendo que é uma merda porque não é um jogo de espionagem com o Snake. Será que se fosse um jogo de sair fatiando geral com o Snake seria bom?

Por sorte, a ideia original do jogo de mostrar o processo de transformação de Raiden em ciborgue ainda vive (afina ela foi cancelada pra ser algo pós-MGS4) e existe a possibilidade de Kojima ajudar na produção de uma continuação, então o que resta às 49 pessoas que gostaram do jogo (incluindo eu) esperar pra que essa continuação realmente venha e nos dê um novo jogo da série com ainda mais qualidades que esse.

Querem mais um motivo pra jogar Rising? É de longe o melhor hack'n'slash de 2013 e uma imagem vale mais que mil palavras:

 Viu. Eu não disse?