E aí, nerds
que lêem! Aqui é o Dipaula. Sim, estou ficando folgado e abusando do blog do
meu amigo... Quaisquer reclamações devem ser dirigidas diretamente aos meus
advogados.
Hoje estou
aqui para falar de uma das mais bem-sucedidas franquias de games de RPG já
lançada! A maioria dos gamers fala bem dela – claro, isso não é necessariamente
um elogio, já que tenho um ponto de vista bem particular com respeito à opinião
da maioria, mas deixemos esse assunto para outra ocasião.
Se você
pensou em Final Fantasy, não se sinta especial. Ter adivinhado só sugere que
você consegue andar e falar ao celular ao mesmo tempo sem sofrer de estafa
mental.
Bem, não
vou fazer uma resenha, mas sim dividir com vocês algo curioso, que me incomoda
um pouco e que talvez não faça diferença para vocês, porém vale a pena ser
discutido. Vou começar do início, vocês entenderão logo...
Meu
primeiro contato com a franquia foi com Final Fantasy 7, que achei incrível.
Desde então vários outros títulos me foram recomendados e eu experimentei
grande parte deles, mas terminei somente uns poucos. Algo nesses jogos me
desagradava, eu perdia o entusiasmo depois de algumas horas de jogo, como
alguém que joga o mesmo jogo seguidamente e não agüenta mais ver a mesma coisa.
E foi então que percebi o motivo.
Final
Fantasy possui uma fórmula muito repetitiva, com seus elementos sendo usados à
exaustão há anos, mudando apenas alguns detalhes. Isso causa em jogadores mais
perceptivos, como eu, uma desconfortável sensação de estar vendo “mais do
mesmo”.
Ah, e não
me refiro a elementos visuais e de mecânica como os frangos anabolizados
chamados Chocobos ou o sistema de Jobs,
que permite customizar os personagens. Estou falando de elementos de enredo que
são reconhecíveis em diversos títulos da franquia. Vou descrever os principais
deles separadamente citando jogos nos quais eles são usados. Acompanhe e veja
se você concorda:
Os Cristais
Comecemos
com o elemento mais antigo e tolo da fórmula: cristais que funcionam como os
pilares da natureza.
Imagine um
mundo cujas forças naturais são influenciadas por pedras colocadas em templos
que ora estão abertos à visitação pública (entrada franca!) ora são vigiados
por velhinhos barbados de vestido e seus Blackmages
com ossos de vidro... Qualquer um pode invadir o local, roubar os cristais e usar
como globo de discoteca sem problemas.
O agravante
é que se os cristais são removidos ou destruídos, o elemento natural
correspondente fica fora de controle. Se o cristal do vento sair do altar, os
ventos param de soprar ou se revoltam; se o da terra for levado, o solo se
torna infértil ou terremotos assolam o mundo e assim por diante.
Espera-se
que um mundo assim tão frágil tenha uma força organizada e bem treinada de
heróis que protegem os cristais através das eras, certo? Errado. Somente quando
a natureza vira do avesso é que alguém percebe que os cristais sumiram e um
grupo é reunido para recuperá-los. Parece até o Brasil...
Isso me faz
pensar que talvez o cristal da água fique em algum lugar do nosso país, e que alguém
tem tirado ele do altar só de sacanagem todo ano, causando enchentes em tudo
que é lugar... Não é assustador como ficção e realidade se confundem vez ou
outra?
A idéia dos
cristais surgiu em Final Fantasy (o primeiro) e foi repetida nos Final Fantasy
3, 4 e 5. Tudo bem que tais jogos são de mil novecentos e pedra lascada e que
na época enredos simples eram a regra, mas Final Fantasy 13 é recente e também
faz uso dela. Sem falar da série Final Fantasy Crystal Chronicles, cujo título dispensa
comentários...
Ainda no
embalo dos cristais, vamos falar dos tais heróis reunidos para salvar o mundo
quando os mesmos são roubados ou destruídos:
Guerreiros da Luz (Ooooh...)
![]() |
| Não, eles não merecem ser mais bem desenhados que isso. |
Como foi
mencionado anteriormente, são os sujeitos encarregados de reparar os danos
causados pela falta dos cristais e bater nos “espíritos de porco” que os tiram
de lá só para se divertir com o circo pegando fogo (que gentinha!).
Pude notar
esse elemento da fórmula em muitos títulos da franquia assim como os cristais:
Final Fantasy 1, 3, 4, 5 e 13, mas talvez ele tenha sido usado em ainda mais
jogos.
Não há
muito que se falar deles que ainda não tenha sido dito exceto que, em geral,
são escolhidos pelo BEM para manter o equilíbrio entre a luz e as trevas e
outras tolices maniqueístas.
Sinceramente
detesto esse tipo de desculpa para os personagens salvarem o mundo, acho bem
mais interessante quando há motivações pessoais envolvidas. Isso os torna mais
humanos, mais plausíveis.
De repente
o enredo de Super Mario não parece tão ruim... Pelo menos o encanador quer
salvar a namorada rica que o sustenta!
Eu consigo
imaginar alguém lutando por isso no mundo real, mas se uma voz do além surgisse
e nos desse uma missão, provavelmente procuraríamos um psiquiatra ou uma
benzedeira, dependendo da pessoa.
E já que
falei de dois elementos ruins da fórmula Final Fantasy, falarei agora de um que
acho bem melhor:
Força de Dominação Global (Tam-tam-tam...)
Quantos
Final Fantasy não têm no enredo um império ou semelhante tentando dominar o
mundo e que, para tanto, mexe com forças proibidas colocando o mesmo em risco
(como roubar os malditos cristais, por exemplo...)?
Temos o
Império de Palamecia (ou algo assim) em FF2, o reino de Baron em FF4, “O
Império” de FF6 e o reino de Alexandria em FF9, entre outros.
Essa força
de dominação nem sempre é representada na forma literal de um império. Pode ser
uma empresa de alcance global como a Shin-ra de FF7, que para alcançar suas
metas suga o Life Stream do planeta colocando-o em risco, exatamente como eu
descrevi no primeiro parágrafo.
Esse é um
elemento que eu gosto muito, na verdade. Adoro clima de guerra em uma história,
sobretudo num RPG. Sem mencionar que uma força bélica espalhando medo pelo
mundo é um motivo bem mais convincente para unir um grupo de heróis do que “ser
escolhido pelo bem”. Contudo, essa idéia se repete tanto que acaba por se
tornar um pouco maçante...
A única
força de dominação global da qual nunca se enjoa é a Shadaloo! Aprenda isso
SquareEnix, por favor.
Seguindo o
raciocínio, vamos falar agora de outro elemento da fórmula profundamente
relacionado com o que acabei de descrever:
Generais Fura-olho Que Se Tornam Os Vilões
(Até tu, Brutus?)
(Até tu, Brutus?)
![]() |
| Golbez. Tão badass que nem parece ter vindo de um Final Fantasy! |
As já
mencionadas forças de dominação global naturalmente possuem líderes, sendo eles
imperadores ou reis em sua maioria, mas às vezes presidentes (como a Shin-ra),
ou qualquer outra coisa.
Pois bem. Já
notaram que eles têm sempre um general/braço-direito/ministro obviamente mal
intencionado que eventualmente os mata, roubando a cena e tornando-se o vilão
da história?
A princípio
o tal império é o inimigo a ser combatido, mas aí vem o General Fura-olho da
vez e toma o lugar do imperador como objeto do ódio dos protagonistas.
Golbez mata
o rei de Baron em FF4, Kefka mata o imperador Gestahl em FF6, Sephiroth faz
espetinho do presidente da Shin-ra em FF7, Kuja manda Bahamut fritar aquele
travesti gordo e azul que é a rainha de Alexandria em FF9...
Sem falar
que todos eles são figuras MUITO suspeitas! Como os tais imperadores não
notaram isso? Tudo bem que Golbez dominou a mente do rei em FF4, mas como não
notar que Kefka precisa de remédio tarja preta e focinheira?
Esses
imperadores tinham muito a aprender com M. Bison. Só se lida com empregados
barra pesada assim sendo muito durão. Coisa que eles não eram, ao que parece.
Ainda
falando dos vilões, aqui vai outra característica comum a vários deles:
Vilões Afeminados e Vilãs Peruas (Ui, poderosa!)
![]() |
| Edea e Kuja. Acreditem, ela é mais homem do que ele. |
Esse é um
dos elementos que mais me causa desgosto. Sério, por que DIACHOS alguns vilões
da franquia têm de parecer travestis? Pense em Kefka, Kuja e Seimour e veja se
eles não se parecem com aqueles transformistas que participavam dos programas
do Sílvio Santos na época da sua avó...
Agora
vejamos algumas vilãs. Ultimecia, Cloud of Darkness, Rosso the Crimson... Como
alguém pôde pensar que vilãs que parecem ter vindo do reality show Mulheres
Ricas seriam uma boa idéia? Na boa, olhem bem para Edea... Até a Bruxa Onilda
inspira mais temor...
Imagino o
que motivou esse povo a tentar destruir/dominar o mundo... Provavelmente uma
unha quebrada ou uma meia-calça desfiada...
Prefiro mil
vezes overlords blindados como Golbez
e ExDeath, por mais clichê que sejam. Ainda bem que, pelo que sei, essa idéia
deixou de ser usada depois de FF10 (corrijam-me se eu estiver enganado). Se
isso tivesse se tornado um padrão, poderíamos esperar a Nany People como
próximo vilão da série. Ou talvez o Ronaldo Esper.
Vamos em
frente antes que eu vomite...
Vilões e Protagonistas Têm Uma
“Ligação Especial” (eu, hein...)
“Ligação Especial” (eu, hein...)
![]() |
| Reação de Jecht ao descobrir que seu filho é protagonista de um Final Fantasy! |
Continuando
esse papo de vilões, quem aí já reparou que alguns deles possuem um forte elo
com alguns protagonistas?
Às vezes
esse elo é algo mais corriqueiro, como o de Kefka e Terra em FF6: o palhaço foi
o responsável por controlar a mente da moça e treiná-la para se tornar uma
guerreira do Império. No entanto, na maior parte das vezes, esse elo tem a ver
com a origem dos personagens, normalmente revelando que não são pessoas comuns,
normalmente tendo origem alienígena. Vejamos alguns exemplos:
No caso do
vilão Golbez e do protagonista Cecil de FF4: eles são meio-irmãos e têm
descendência alienígena; Bartz e Exdeath de FF5 também têm origem em outro
planeta, Sephiroth e Cloud de FF7 são super-soldados geneticamente modificados
com DNA de um ser alienígena, Kuja e Zidane de FF9 são seres artificiais vindos
de outro mundo e Tidus e Jetch de FF10 também, de certa forma, são oriundos de
um outro mundo...
Vilões e
heróis que se descobrem relacionados profundamente... O pessoal de Final
Fantasy tem muito a agradecer a George Lucas...
Entendedores
entenderão...
Ah... Criatividade
e originalidade não estão na lista de prioridades dos roteiristas dessa
franquia, hein? Se bem que, jogos com enredos realmente inteligentes não se
tornam sucessos globais como Final Fantasy. Talvez eles apenas dêem o que o
público pede, talvez investir em um roteiro realmente bom seja dar pérolas aos
porcos...
Entendedores
entenderão...
Protagonistas Desmemoriados
(Originalidade... Não consigo lembrar o que significa...)
(Originalidade... Não consigo lembrar o que significa...)
![]() |
| Água na Carol! |
Eis aqui
outro elemento que acho válido num enredo, um personagem sem memória pode ser
interessante se bem utilizado, pois é legal ir descobrindo seu passado aos
poucos no decorrer do jogo.
Agora, como
o Juninho já disse antes, CINCO protagonistas desmemoriados em seguida!? Terra
de FF6, Cloud de FF7, Squall de FF8, Zidane de FF9 e Tidus de FF10, todos com a
mesma amnésia...
E vez ou
outra aparece alguém dizendo o quanto os personagens dessa franquia são humanos
e profundos... Ai,ai... Pobres caipiras que nunca jogaram Persona...
Que é isso,
Sakaguchi? Um pouquinho mais e você chegaria ao nível do Akira Toriyama, e olha
que ele fez de tudo para ferrar com o enredo de Dragonball Z, pois não
agüentava mais escrever aquela abominação...
Vamos para
o próximo, então.
Donzelas Indefesas e Desamparadas
(Socorro Popeye!)
(Socorro Popeye!)
![]() |
| Meu cabelo tem pontas duplas... Ai de mim! |
Bem como os
Vilões Afeminados e as Vilãs Peruas, esse é um elemento que faz minhas vísceras
revirarem.
Final
Fantasy é recheado de dondocas sem um pingo de atitude que só servem para serem
amparadas pelos protagonistas masculinos, o que eu entendo como um recurso
desesperado para tentar fazer os jogadores engolirem que esses mesmos
protagonistas são fortes e decididos.
Até
compreendo esse desespero, pois quem levaria Squall ou Tidus a sério se não
houvesse Rinoa ou Yuna para caírem em seus braços o tempo todo? Provavelmente
as donzelas do grupo seriam eles mesmos...
Ah, antes
que eu me esqueça, não posso deixar de citar a outra utilidade para essas
frágeis coitadinhas: formar um par com o dito protagonista num romance forçado...
Imagino que esses romances de novela mexicana é que fazem os simplórios
jogadores pensarem que Final Fantasy tem profundidade.
Prestem
atenção, vou falar uma única vez: romance e profundidade NÃO são a mesma coisa!
O dia em que Final Fantasy
tiver um protagonista que comete atos que não são politicamente corretos e que
pensa em seus interesses ao invés de “fazer o que é certo”, aí sim ele poderá
ser considerado humano. Quando seu lado psicológico for explorado, mostrando
suas dores e inseguranças, aí sim ele poderá ser considerado profundo.
Ops! Quase
me esqueço de novo! Tenho que homenagear a única donzela da série que me
agradou profundamente, pois teve a decência de morrer no início do jogo! Aeris,
seus restos inchados e semi-devorados por peixes sempre ocuparão um lugar
especial em nossos corações!
Personagens “Exóticos” (Isso aí morde?)
Outra coisa
que merece ser mencionada: certos personagens, digamos, peculiares, presentes
em vários títulos.
Não
peculiares do tipo “Nossa que simpática essa sua cauda e essas suas orelhinhas
de gato, posso tocá-las?”, mas do tipo “Não perca a esperança, tenho certeza
que um dia surgirá algum tipo de tratamento para isso, afinal a medicina hoje
em dia evolui rápido. O quê? Não, não quero apertar sua mão, obrigado...”.
Novamente,
por que DIACHOS tais “seres” foram concebidos? Eu entendo que quase todo RPG
tem personagens não-humanos ou fofinhos e etc., mas em alguns Final Fantasy
eles forçaram a barra! Talvez por tentarem ser originais ou talvez por
misturarem remédios tarja preta com álcool, vai saber...
Aqui vai um
bestiário - digo - lista com alguns deles e uma breve descrição de suas
características (não recomendado para menores de 18 anos):
Cid de FF4: um mecânico gordo, peludo e
provavelmente mal-cheiroso usando um collant
de cores berrantes... Não fotografar usando flash para não irritá-lo.
![]() |
| Papai Noel é a... |
Gogo de FF6: um mímico com roupas
espalhafatosas tais como as de Kefka e que quase nunca fala, não tem motivos
para unir-se ao grupo ou significado na história e, por razões misteriosas, não
é capaz de nada além imitar outros personagens... Pode aprender a assoviar o
hino nacional se ensinado desde cedo.
![]() |
| Como Gogo está ganhando a vida após o término de Final Fantasy 6. |
Caith Sith de FF7: uma máquina espiã da
Shin-ra enviada para enganar e sabotar os heróis. Estranhamente tem a forma de
um gato de botas segurando um megafone montado numa espécie de yeti... Este, eu
tenho certeza, foi concebido à base de remédios e bebida alcoólica.
![]() | |
| Esta imagem me faz pensar em anfetamina... |
Quinna de FF9: um ser de sexo indefinido que parece uma versão abstrata de um fantoche da Vila Sésamo vestido de Tia Anastácia do Sítio do Pica-pau Amarelo. Comia sapos vivos para sobreviver em seu hábitat, um pequeno brejo. Eventualmente foi adotado pelos heróis como mascote e saiu pelo mundo devorando toda a vida selvagem, de goblins a dragões, causando desequilíbrio ambiental em todo mundo de Gaia. Mantenha distância da grade para evitar acidentes.
![]() |
| Deixa o pobre Caco em paz, Elmo do inferno! |
Fran de FF12: uma mulher curvilínea com
orelhas de jumento... Chocante... Sempre que eu a vejo não posso evitar
imaginá-la ruminando capim e espantando as moscas de seu traseiro com o rabo...
Imagino que a intenção do desenhista tenha sido fazê-la com orelhas de coelho,
mas acabaram parecendo as de um jerico. Agora não consigo evitar imaginá-la
carregando um cearense no lombo...
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| Fran... trazendo gamers e otakus tarados ao fantástico mundo da zoofilia... |
Ah, e se
você está pensando em retrucar com algo como “A Fran é mó gostosa!” pare aí
mesmo, seu pervertido! Não existe tratamento para tipos como você? Aposto que
quem te conhece se desinfeta com álcool gel após apertar a sua mão. Nojento!
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Bem, acho
que me fiz entender. Oh, e antes que algum fã incondicional queira me atirar
paus e pedras, saiba que não considero a franquia necessariamente ruim. Apenas
não penso que seu enredo seja nem de longe o que dizem dele. Final Fantasy é um
sucesso por sua boa jogabilidade, com personagens customizáveis e coisas do
tipo.
De qualquer
modo, se discordam do que disse e querem se manifestar, deixem seus
comentários. Contudo, vamos nos lembrar que não há nenhuma necessidade de
perder a civilidade...
E vamos
encerrar este post com um pensamento de nossa querida Rinoa, para refletirmos
sobre a vida:
“Cheira meu
dedo...”
Até a
próxima!






































































