21 de outubro de 2016

USF4 - SFV: Qual O Melhor?

Street Fighter V lançou, muito se disse sobre ele, muita coisas boas, muitas polêmicas e agora ele já está mais do que devidamente completo e com sua primeira temporada já finalizada, então, agora mais do que tudo, resta a dúvida:

Qual é o melhor Street Fighter, o IV (enquanto franquia) ou o V?


Bom, eu poderia até dar aquele papo mentiroso da imparcialidade, mas não, vocês sabem que eu sou parcial e viso somente a minha opinião, então mais do que nunca, esteja avisado que não quero enfiar nenhuma "verdade absoluta" em sua garganta, se não concorda, vá em frente e discorde pra valer, use seu direito e debata comigo saudavelmente nos comentários.

Então vamos lá:

Modos de Jogo:


Cade o Time Attack, porra!

Se eu for contar o primeiro SFIV, acredito que ele vença esse quesito, ele era de longe, bem mais paupável pra jogadores single player logo de cara, tinha 3 modos de jogatina online (endless, ranked, team e tournament), arcade com finais em anime, versus, galeria e além de trials, e melhor ainda: tinha time attack e survival.

Mas... convenhamos, depois do Super e ainda mais atualizado pra Ultra, fica difícil levar ele em questão, por milhões de motivos e dentre eles personagens e mecânicas a menos.

E o Ultra tem, Arcade, Versus (CPU e Local), Trial, Online com os mesmos modos além do treino online e tiraram o Time Attack, Survival e Galeria. Honestamente, nunca vou entender porque removeram os modos, eles já eram simples demais e tudo mas melhor manter do que simplesmente remover.

Já o V, esse tem Story, Cinematic Story, Trial, Survival com 4 dificudlades pra cada personagem, online com Ranked, Casual e Saguão, muito da polêmica negativa se deve à falta do Arcade, e eu honestamente não sinto falta, porque a CPU do IV era infeliz de tão ruim e incompetente, mesmo em níveis mais difíceis um jogador mediano como eu poderia vencer sem maiores dificuldades usando qualquer personagem, e se levarmos isso à fundo, vai ver que uma boa maioria das pessoas treinava e jogava mais online ou local e preferiam treinar na sala de treino justamente por conta da CPU muito fácil.

No V, isso foi corrigido, a CPU é insana, são 8 níveis e do 6 pra frente a parada fica infernal, mesmo eu com muitas horas de jogo, bastante experiência e tendo evoluído muito, não consigo segurar determinadas situações que a CPU me coloca, e isso tudo no nível 7, no 8 é quase todo o tempo tomando Crush Counter, eu simplesmente adorei poder treinar com tudo isso, além do mais, o Survival é muito mais compensativo à longo prazo do que um Arcade, porque além de difícil, te dá o Fight Money que permite compra de DLC's.

O USF4 e o SFV meio que se equivalem, mas como considerei o IV como franquia, é fácil ver que ele tem muito mais coisas pra fazer, ainda que ele tenha um desbalanço surreal, personagens a menos, especiais e mecânicas a menos também.

Lembrando que o USF4 tem o Omega Mode, divertido de doer mas acredito que ele chegou meio tarde demais pra ser apreciado pelo público ou gerar torneios, o que seria totalmente hilário e interessante.

Equilíbrio:



Esse aí é um ponto complicadíssimo de se abordar, mas vou tentar dar o meu parecer totalmente honesto.

Pra começar, SF4 como um todo, sucedeu o 3, esse que mesmo sendo simples tinham mecânicas de imensa profundidade (parry, especificamente falando) e nisso o IV teve a ideia de "simplificar" e como mecânica central trouxe o Focus Attack, segurando os dois médios em 3 níveis crescentes cada um teria uma função e uma vantagem, claramente te deixando aberto pra golpes que quebram armadura ou balões.

Mas, o foco é o Focus Cancel, esse por si só, como o nome diz, cancela a animação de algo com o Focus e continua batendo de alguma forma, seja em juggle, combos ou mesmo aplicando setups, resets e etc, e aí começamos a chegar onde eu to querendo.

Pra personagens típicos de meia lua, isso aí é uma puta vantagem, mas pra personagens de carregar ou de balão é totalmente inútil ou parcialmente inútil, no caso, o máximo que você pode fazer com um Vega por exemplo, é usar uma rasteira forte e se o cara defender, você usa o Focus Cancel e dá um dash pra trás em fuga, mas é algo que em combos não tem utilidade e aplicações de ferramentas mais profundas menos ainda, e se a gente for falar de personagens de agarrão complica até mais, porque mesmo uma "fuga" pode ser inútil afinal eles por natureza são lentos.

Claramente, pra esses personagens de grapple fica ainda pior, porque são naturalmente fortes, talvez cancelar um golpe e emendar outro à custo de duas barras, tem um dano que normalmente não vale a pena, a menos que sejam matchups extremamente específicas. Se bobear, o cara fazer um combo menor, dar o espaço e invadir o inimigo de alguma outra forma, pode ter dano muito mais recompensador do que simplesmente um cancelamento que usa 2 das 4 barras.

Mesmo USF4 sendo muito balanceado e dando coro em termos de equilíbrio em boa parte dos jogos de luta do mercado, a gente começa a ver que o buraco é bem mais embaixo quando analisamos a fundo situações como Vortex ou Resets, onde são quase impossíveis de serem escapadas se feitas pelas mãos certas.

Ryu, vou acertar essa sua boca torta na porrada

O V não, ele simplificou de novo mas de uma forma mais elaborada, tirando os links de um frame, que precisavam de técnica avançada pra ser usados (os famosos P-link), tudo isso parecia simples demais e até mesmo ruim, mas quando vamos à fundo, dá pra ver que a simplificação é muito mais eficiente, ela evita coisas absurdas como Vortex, diminui a diferença de casuais e veteranos e aumenta o acesso pra quem simplesmente nunca teve muito interesse em jogos de luta por achar difícil demais.

Isso torna o jogo, muito focado na leitura do jogo neutro, apelando menos pra combos, e como todos os personagens tem combos e targets combos bem simples de se fazer, o medo de se levar um combo é muito maior, e tudo isso somado ao Crush Counter, melhora demais o aspecto visual do jogo. E por ter removido o Focus e botando uma habilidade específica pra cada personagem e um V-Trigger com uso totalmente diferente também, acaba cobrindo falhas que o Focus Attack deixava nos personagens.

Claro, SFV ainda tem muito o que evoluir, mas já dá passos enormes, um atrás do outro pra isso, mas algumas coisas realmente precisam de uma melhora, como alguns V-Reversals que eu acho que ficariam melhor como invencíveis (afinal, gasta uma barra de VT pra fugir) e remover os jabs que são facilmente usados como anti-aéreos em algumas situações. Mas quando falamos de todos os aspectos mais profundos, ainda acho SFV bem à frente do USF4, e olha que o USF4 por si só, como eu disse, é bem equilibrado, o problema dele era justamente o bom uso de "falhas" mecânicas que alguns mais experientes poderiam ter, isso no V foi removido, ou você é bom e aprende a ler o inimigo e vence, ou simplesmente comete erros que podem ser cruciais no resultado final.

Arte:



Olha, esse ponto eu vou ser bem direto, eu sou muito mas muito fã da arte da série Alpha, em específico do Alpha 2 e 3, mas a do 4 me dava nos nervos.

Os personagens são excessivamente musculosos, as mulheres em algumas poses pareciam ter mãos de pedreiro e homens pareciam ter dedos de salsicha, e se eu ficar aqui, eu posso falar mil e uma bizarrices que a arte do USF4 tem.

Pra se ter noção, eu nem tinha vontade de jogar com alguns personagens como Guy, que eu tanto gosto, pelo simples fato do exagero nas proporções. Depois que venci essa barreira, foi de boa. Mas eu literalmente demorei uns dois anos pra começar a gostar do traço de alguns personagens ou meramente suportá-los.

Já o SFV, bom, não é perfeito, mas melhora muitíssimo, pegue Ryu por exemplo, ele demonstra claramente ser um lutador forte, mas sem ter músculos nos músculos, ele tem um visual muito mais agradável aos olhos, as mulheres tem mais curvas e são muito menos exageradas em algumas proporções como peito e bunda, e caramba, como isso melhora.

Embora, o aspecto meio "bobo" em alguns personagens seja evidente como Rashid, FANG ou mesmo Laura que muitas vezes soam bobos, e Zangief com aquela história de espírito muscular, ainda que seja engraçado, colabora muito pra essa "infantilização" estética.

Pega o jogo e cai de CABEÇA nele

Em contra-partida, alguns ficaram perfeitos como Balrog, Nash (ainda que a roupa original de frankenstein dele seja uma merda), Ken, Chun-Li, e M. Bison. Infelizmente tal tom não foi muito bem acertado em Vega que por exemplo, parece lutar "dançando" e é meio bizarro, mas nada que estrague também.

Em termos de arte, por ser algo totalmente subjetivo e aberto, posso facilmente incluir a trilha sonora, todo mundo sabe o quanto eu amo a OST do USF4 como um todo, muitos temas como do Abel, Poison, Rufus, El Fuerte, Viper, Juri são ótimas adições e muitas releituras ficaram simplesmente espetaculares como a de Sagat, Ryu, Chun-Li, Blanka, Sakura e derivados. Mas tinha uma ou outra ruim, e nos cenários a maioria era do caralho também mas sempre tinha alguma mais chatinha.

A do 5, puta merda, melhorou e evoluiu ao extremo, usando menos coisas eletrônicas e usando muito mais instrumentos, e eu realmente gostei muito de todas as músicas, desde a tema do jogo até as de cenário, menus e etc, coisa que raramente acontece, e eu realmente estava gostando de 100% da trilha sonora até sair a nova tema da Juri, que nada mais é que um remix sofrido de chato. Sendo assim, 99% da OST é absurdamente foda.

E bem justo a Juri, que visualmente melhorou tanto do 4 pro 5... Ganhar esse tipo de música chata... Em contrapartida, Urien que tinha uma música bem esquecível, ganhou um tema digno de último chefe mesmo ele não sendo.

Diversão:



Ah, o verdadeiro pulo do gato, onde muita gente confunde as coisas.

O SFIV como um todo, incluindo Super, Ultra e etc, é muito mais difícil de jogar e até mais complexo de fazer combos, e tudo isso incluindo o que eu falei acima sobre um viciado e um novato, pode até dar a impressão de que o USF4 é menos divertido que o SFV por conta da acessibilidade.

Mas eu sou obrigado a discordar.

SFV nesse ponto, por ser mais de leitura, profundidade mecânica e execução simplificada, chamou muita gente que sempre jogou casualmente pra jogar mais a sério, então não é muito complicado esbarrar no online contra pessoas de rankings baixíssimos mas que te viram do avesso. O motivo é simples, existem pessoas de mil maneira diferentes, e quem por algum motivo de preguiça, não queria aprender muito por ser "complexo demais", simplesmente se viu aqui na possibilidade de jogar bem se esforçando menos, ainda que ela precise de muito tempo pra adquirir noção e leitura.

No 4, uma jogatina entre casuais pode ser mais prazerosa por exigir menos fatores tão profundos, mas evoluir lá é muito mais complicado, mas uma vez que se cresce no jogo, é natural se divertir mais, porque vai ser a passos curtos, aprendendo mecânicas e deduzindo que vai jogar os dois por muito tempo, acho que fica bem claro que o fator diversão pode ser mais visto no 4, afinal, no V é divertido também mas facilmente frustrante. No IV eu demorei muito mais pra esbarrar na frustração do que o V por exemplo.

Ainda que eu me divirta mais com o SFV, considero o USF4 um jogo consideravelmente mais divertido pro público geral.

Jogatina Online



SF4 no geral foi algo que o Online bombou, bombou fortemente mas infelizmente a Capcom ainda não tava tão preparada assim pra uma quantidade massiva de jogadores.

Não, não estou falando que a conexão é totalmente ruim e injogável como os jogos da NeatherRealmes, mas de fato, é bem abaixo de alguns jogos daquele mesmo momento, veja Virtua Fighter 5 ou Tekken 6, que tem ótimos online e por ser jogos em 3D, normalmente teria que fazer mais leitura de arquivos de cada personagem ao mesmo tempo (afinal, ainda de quebra tem uma dimensão a mais) mas eles são muito estáveis e mesmo conexões pobres como a minha poderiam jogar online sem muitos problemas.

Chega a ser um pouco injusto comparar o USF4 com o SFV nesse quesito, mas a verdade é que o SFV mesmo sendo muito mais bonito e mais pesado, gasta muito menos conexão de forma que eu com 1MB consegui jogar perfeitamente, e depois que aumentei levemente a internet, ficou ainda melhor.

Coisa que no USF4 (principalmente no PS3) ainda continua ruim, mas no PC até que consigo jogar razoavelmente. Dependendo muito de contra quem eu jogo, se não é de outro país e etc.

Basicamente, a jogatina online do V é melhor, mais sólida, gasta menos conexão e mesmo o SF4 depois de tantos anos e tantas atualizações, ainda não é algo 100% fora da Xbox Live, porque na PSN é precário e no Steam é totalmente dependente de fatores externos.

Número de Personagens:



Olha, eu vou falar abertamente, menos é mais em alguns casos, SFV é totalmente diferenciado entre seus personagens, não há reciclagem de ideias.

No USF4 mesmo que hajam muitos extremamente similares (Ken, Ryu, Akuma, Dan, Sagat, Sakura, etc) eu não tenho coragem de chamá-los de iguais. Mas, pra muita gente (inclusive pra mim no começo) foi um ponto que decepcionou muita gente.

Repetindo, esses personagens até tem uma ou outra estratégia similar, mas são muito diferentes, chamá-los de iguais é uma grosseria sem tamanho, mas não muda um fato: que muita gente se diverte trocando de personagem ainda que seja pra um parecido, justamente pra não ter que ver a mesma fuça o tempo inteiro. Mudar pouco pra algumas pessoas é melhor do que simplesmente mudar tudo.

Ryu ativando seu V-Trigger, conhecido como MODO PIKACHU

Infelizmente, ainda há muitas dúvidas se o SFV vai ter um Super ou não, mesmo a Capcom avisando, ela está sem confiança dos consumido então de 16 personagens, já temos 22, é um ótimo número inicial mas muita gente pega o SF4 que já começava com 24, ou seja, 2 a mais que o número normal de personagens + DLC do SFV no fim de sua primeira temporada.

Mas não dá pra ignorar o fator que eu disse de serem similares, eu particularmente prezo muito mais pela qualidade do que pela quantidade, se o SFV me oferece mais variedade com menos personagens, acho até mesmo injusto ou ilógico ele não vencer nesse aspecto. Particularmente falando, vejo mais sentido e duração de jogo nesse formato, e vou dar um exemplo, se eu jogo USF4 de Ryu e quero trocar pra Ken, o básico de posicionamento ou mesmo algumas coisas básicas estão ali nos dois, sempre muda uma coisa ou outra mas "parte" dessa jornada de aprendizado vai ser menor, no V a acessibilidade te reduz o tempo de aprender combos mas trocar de Ryu pra Ken nele pode ser algo que dure MUITO mais tempo pra adaptar, entender e colocar tudo em prática. Lá Ryu é um personagem que deve ser mais neutro enquanto Ken precisa ser absurdamente ofensivo até mesmo pra usar tudo dele, incluindo a V-Skill.

É por isso que o jogo até então, tem 22 personagens que fazem o tempo de jogo durar mais, largar um e ir pro outro vai ser muito mais demorado pra adaptação e aprendizado, não existem "atalhos" como personagens similares ou combos de mesmo comando. Tudo lá é muito diferente um do outro, aumentando assim a vida útil do jogo como um todo.

Conclusão:


Dan aprova esse post

Ainda que pra jogatinas totalmente isoladas do mundo, Street Fighter 4 como franquia seja melhor, o V tá anos luz a frente se formos comparar todos os aspectos. Um online melhor, maior variedade, trilha sonora e direção de arte que realmente evoluíram tudo que veio dos jogos anteriores, e principalmente, uma duração maior enquanto jogo por modos como Survival, a existência do Fight Money que te permite compra de DLC's sem gastar um tostão e principalmente de um netcode exemplar, deixando claro o quanto a Capcom aprendeu com seus erros do online do SF4 e de quebra nos trouxe duas plataformas competindo uma com a outra, no caso, PC e PS4.

A vantagem do jogo como serviço é justamente essa, atualizações constantes de um único jogo (impedindo as tão odiadas versões Super, Ultra e etc) e fazendo com que o conteúdo dele fique cada vez maior e os jogadores sintam a recompensa através da quantidade de Fight Money que vai adquirindo com o tempo.

E como estamos falando de um jogo que foi odiado pela falta de Arcade, saibam que os hackers encontraram "menus" ocultos no jogo, e tudo indica que mais modos virão e dentre eles o Arcade, então, só questão de tempo. Eu espero e torço pra que daqui uns 4 anos o jogo seja uma revolução no formato de jogos de luta, que tenha tanto conteúdo que as pessoas fiquem perdidas e se arrependam da crítica pesada que fizeram ao jogo pela simples mudança de formato e vejam que futuramente isso pode ser bom pra qualquer fighting game.

22 de agosto de 2016

Entrevista Com Keoma (Not the Cowboy)

Pra quem não conhece, Keoma é o um dos melhores jogadores de Street Fighter do mundo e do Brasil, participou e venceu de vários eventos e suas melhores participações foram na Capcom Cup de 2015 e na BGS 2015 vencendo Haitani, um dos cinco lendários deuses japoneses do Street Fighter e sua incrível Makoto.




1 – Como foi o seu começo na cena competitiva? Como foi chegar até aqui e ser reconhecido mundialmente à ponto do Daigo citar você na EVO 2016.


Keoma: Meu começo no cenário competitivo foi com Street Fighter IV em 2009, justamente por SF4 ser um jogo novo na época e eu não ter uma grande desvantagem em relação aos jogadores próximos de mim. Eu realmente me esforcei bastante e levei a sério conforme entrei em mais competições.


Daigo sempre foi motivo de grande inspiração para mim, ter o reconhecimento dele como jogador é fantástico, e me motiva para seguir em frente sem me questionar.



2 – Existe muita polêmica sobre qual dos Street Fighter’s é melhor, o 4 ou 5, qual a sua sincera opinião sobre isso?


Keoma: Street Fighter V. O sistema de jogo está melhor e o jogo finalmente está tomando forma como produto e serviço. Acredito que na próxima temporada fique ainda melhor.

3 – A sua participação nos últimos torneios do USF4 foram incríveis, como foi pra lidar com as matchups ruins do Abel? Qual o método de treino?


Keoma: Meu método de treino sempre foi em cima de vídeos próprios e de outros jogadores dos quais eu possa entender a linha de raciocínio, independente do matchup. Para campeonatos como Dreamhack Winter e Capcom Cup pude contar com jogadores fortes que inclusive me eliminaram em campeonatos anteriores, como MBR, que contribuiu muito para que eu melhorasse meu jogo contra Akuma.


4 – Agora em SFV, a mudança de estilo de personagem foi muito forte, de Abel pra Karin foi uma mudança muito brusca, eu deduzo. Como foi pra se adaptar a essa velocidade de personagem?


Keoma: Este vem sendo um grande desafio para mim. Eu nunca fui bom com personagens que andam muito rápido, e a Karin exige uma dedicação muito maior no jogo neutro do que qualquer personagem que já tenha utilizado por ter pouco life e não ter um antiaéreo 100% confiável sem EX, porém acredito que o investimento a longo prazo em um personagem como ela é a decisão correta por me ajudar a ter uma percepção maior do jogo.


 
5 – SFV permitiu um acesso maior aos jogadores, a EVO já mostrou esse sinal saltando de 2 mil pra 5 mil inscritos em Street Fighter, você acredita que no Brasil esse sinal já é significativo também?


Keoma: Na verdade não, mas não posso dizer com 100% de certeza. O cenário competitivo em si parece um pouco mais frio do que em anos anteriores, e apontar uma causa específica parece difícil.


6 – Se fosse escolher o melhor jogo de luta feito até hoje, qual seria? E por que?


Keoma: Capcom vs. SNK 2, por todos os elementos, personagens e mecânicas diferentes que ele apresenta em um jogo só. Temos mais de 50 personagens e cada um deles tem ao menos seis maneiras diferentes de jogar em sua essência (sem contar EX Grooves). A composição do jogo em si é muito boa, a apresentação é excelente e a trilha sonora encaixa com os elementos do jogo com perfeição.


7 – No seu blog, você citou a importância de um rival, quem foi seu maior rival em USF4 e qual é o atual no SFV?


Keoma: Sempre considerei um rival qualquer jogador com grandes chances de me vencer, ou seja, alguém que me faça sentir a necessidade de me tornar mais forte para ser capaz de vencer com consistência, independente do jogo.


8 – Em SFV o nível de execução facilitou e o de footsie aumentou por conta do Crush Counter, você acha que isso somado ao acesso facilitado à maiores jogadores vai aumentar ou diminuir o abismo de casuais e veteranos?


Keoma: Não acredito que a dificuldade de execução vá necessariamente diminuir a distância entre os iniciantes e os veteranos, pois no fim das contas o grande diferencial entre os dois níveis é a mentalidade no jogo.


9 – Em USF4 você era dos melhores jogadores de Abel do mundo e dos melhores no geral aqui no Brasil. Mas e no SFV, como você enxerga seu desempenho até agora?


Keoma: Neste momento temos seis meses de Street Fighter V. Todos os jogadores voltaram ao ponto inicial, parecido com o que aconteceu em 2009 com SFIV. De fevereiro pra cá eu dei um salto gigantesco em termos de habilidade e conhecimento. É estúpido pensar que eu começaria no topo de um jogo baseado no meu desempenho no final do ciclo de vida de outro, e apesar de almejar o topo eu não tenho pressa. Se meu treino for bom o bastante sei que posso alcançar este objetivo em breve, então até agora estou bastante satisfeito com a minha evolução já que ela vem sendo constante.


10 – Como jogador de nível Silver, ainda almejo a chegada do Gold, tenho evoluído a passos curtos, qual a dica que poderia dar pra quem assim como eu tende a evoluir mais lentamente na busca pelo mais forte?         


Keoma: Boa parte do processo de aprendizado e evolução é simplesmente tentativa e erro: Parar para observar o que vem dando errado em uma partida pode ser o bastante para levar um jogador à decisão certa.




Keoma, muitíssimo obrigado pela entrevista e como seu fã torcerei fervorosamente por você nos próximos torneios e obrigado por doar parte do seu tempo pra esse humilde e pequeno blog.


Nós vamos ao encontro do mais forte e dessa vez com um brasileiro representando com força total ^^

26 de julho de 2016

Top 5 - Melhores Jogos do Batman

Batman... O que seria de nós seres vivos sem inspirações marcantes de heróis como o Batman.

Afinal de contas, heróis como o Batman temos....

...

...

tipo....

...nenhum?


Verdade seja dita, Batman tem um carisma maior que o nível de retardamento do Coringa e suas histórias e personagens crescem em termos de qualidade mais rápido que a inflação do nosso país.

Como assim você não é fã do Batman? Como assim ele não é seu favorito? Já procurou um médico?

Eu hein... Vamos logo começar essa coisa antes que eu vá aí te dar umas palmadas. E tomara que você mude de ideia no final do post, senão teremos um problema.


5° Lugar - Batman: The Game (NES)

Eis um jogo que em tempos remotos transmitia bem o nosso morcego favorito, Batman era simplesmente o foda, intocável, sinistro, armado até os dentes com seus apetrechos super legais e não matava seus inimigos.

Tanto é que no final, você vence o Coringa e...


Eita porra, o Batman dessa época ainda não era totalmente o Batman que conhecemos, nesse universo antigo o Coringa matou os pais de Bruce, que no final se vinga mandando o palhaço dançar uma valsa no inferno de mãos dadas com o Diabo.

Oloko! Eu não esperava por isso, confesso. Coisas de filmes antigos... Mas ainda um puta jogo, retratando em tempos antigos o jeito Batman nas fases, coisa que muitos jogos posteriores falharam miseravelmente.


4° Lugar - Batman: Rise of Sin Tzu (PS2/Xbox)


Tudo corria bem em Gotham quando de repente...

... O MACACO LOCO!

Ops.

Quando de repente no aniversário da morte dos pais de Bruce Wayne surge um cara do nada conhecido como Sin Tzu aliado de Cara de Barro, Espantalho e Bane.

O jogo se trata de um Beat'em Up em 3D do qual muitas coisas inclusive combos são desbloqueáveis com o passar do jogo. E o maldito ainda tem uma precisão de encaixar os combos bem digno de um jogo de luta.

Eu até poderia colocar o Returns do Super Nintendo, ele é um jogo muito bom mas esse aqui tem Batman, Batgirl, Robin (Tim Drake) e Asa Noturna (Dick Grayson) e difícil por difícil vai esse aqui mesmo.

O gráfico é meio feio mas as representações marciais dos personagens estão muito mas muito boas mesmo, e acabaram por me ganhar por completo.

Pena que não consigo finalizar esse game, a dificuldade é totalmente absurda.


3° Lugar - Batman: The Brave and the Bold (Wii/DS)



Quem diria, esse desenho horrorosamente horroroso baseado na era de prata teria um bom jogo.

Na verdade, não é nem um jogo e sim dois bons jogos.

A era de prata é uma época onde os heróis tinham que ser infantilizados, havia muita censura e isso acabou ferrando boa parte da imagem dos heróis intocáveis e eles tiveram de sofrer mudanças, Batman, Superman e demais outros heróis tiveram histórias que beiram o abismo do ridículo e o medonho e essa época deu origem à MUITAS coisas bizarras mesmo.

O desenho retrata justamente disso, é meio que uma homenagem à esse período que não sei porque mas foi importante.

São dois jogos distintos com abordagens diferentes, o do Wii chega a ser meio cansativo a longo prazo, porém o foco do jogo nem é ser o beat'em up desafiador nem nada e sim no humor, cenas e mais cenas com diversas situações te matarão de rir, Batman é elevado ao extremo do absurdo em toda fodeza gerando milhões de piadas e situações engraçadas!

Mas o de DS apesar de não tão engraçado, acaba por ser um jogo melhor já que sua versão de Wii praticamente não tem desafio, o de DS é um jogo extremamente gostoso de jogar com milhões de coisas pra serem pegas ao decorrer e é tão divertido que simplesmente não tenho coragem de deixar ele fora da lista. Sem contar nas demais participações de seus amigos que vão de personagens como besouro azul até alguns ofensivamente idiotas como Aquaman e Guy Gardner. Mas não se pode ganhar todas, certo?

Ao menos dá pra rir muito. E não dá pra conter o riso quando Batman diz:

"Hammers of Justice. Justice prevails"


2° Lugar - Adventures of Batman and Robin (Super Nintendo)


Esse é um jogo que eu demorei anos pra conhecer, pra ter contato definitivo e sinceramente, não entendo como tem gente que prefere a versão do Mega Drive.

Que por sinal é um excelente jogo também mas é um jogo com mais inimigos na tela que um Dynasty Warriors e isso por si só é um absurdo.

A versão do Super Nintendo retrata bem melhor o Batman do Animated Series, mesmo que eu concorde com alguns que dizem que falta um elemento de beat'em up aqui e ali na hora dos combos, que são muito mornos, secos. É um soco ou dois e o inimigo cai no chão. Mas as batalhas de chefes são ridiculamente difíceis, mais do que as próprias fases do jogo já são.

Mas o que me surpreende, é que assim como o Brave and the Bold, cada fase parece um episódio do desenho, só que como Animated Series é um desenho muito melhor que o já citado acima da era de prata, então acaba sendo melhor o aspecto da narrativa.

Que por sinal era bem presente nesse jogo, nada de graça, personagens aparecem da maneira mais legal possível, há muita investigação em lugares como o museu, fases diferentes e com base em uso de itens certos como a da Era Venenosa e etc.

Sem falar, que ele também por muito tempo foi o único jogo que passava o clima investigativo que só Gotham pode oferecer, com músicas que lembram o desenho de forma bem clara apesar do chip de 16 bits do Super Nintendo. É um jogo que só peca pela dificuldade totalmente fora de controle de tão alta, porque ele representa o Batman de forma muito crível.


1° Lugar - Trilogia Arkham (Não, O Origins Defintivamente Não)


Seguinte, não vou botar o Origins porque não admito um jogo totalmente bugado como ele independente de ser bom ou ruim enquanto os dois primeiros são absurdamente bem feitos e totalmente polidos sem NENHUM bug bizarro ou que comprometa a jogatina.

Arkham Asylum retrata de uma forma muito inteligente o Batman sendo pego numa situação de surpresa enquanto havia prendido Coringa, mostra claramente as coisas apertando pouco a pouco e ele suando pra resolver, se machucando e tendo sua roupa rasgada com o passar do jogo, pegando os bat-acessórios só enquanto necessário justamente porque ele ia se virando conforme as coisas iam acontecendo.

Em termos de "clima" ou "tom", o Asylum se mostra mais interessante que o City, mas ainda assim City merece ser citado por ser praticamente um sandbox do Batman, uma cidade inteira tomada pelo caos dos bandidos mais perigosos de Gotham, uma narrativa melhor, um gameplay aprimorado, músicas inspiradas e uma variedade gigante de gameplay e inimigos presentes em side quests.


Mas uma coisa que os dois são incríveis é em suas batalhas de chefes.

Cada chefe exige um tipo de luta, um tipo de coisa diferente que mostra Batman se virando e mostrando o quão foda pode ser.

Depois de tudo isso, veio Arkham Knight, que até então é o que eu mais curti em termos narrativos, uma ótima trama ainda que tenham elementos previsíveis e um puta gameplay foda, vários personagens jogáveis e desafios mega divertidos sem exagerar na quantidade igual Arkham City.

E ironicamente, a melhor parte do City é a pior parte do Knight, que são os chefes. Com uma ou outra exceção mas no geral são bem inferiores.

Esses três jogos relatam PERFEITAMENTE como o Batman é nos quadrinhos e principalmente na série the Animated Series, mas não se engane, a série "Arkham" é uma série isolada, tem seus próprios elementos e suas próprias características visuais mesmo que haja total fidelidade em alguns casos aos quadrinhos ou a série animada.




Mas também, os dois primeiros foram escritos pelo Paul Dini, lendário roteirista do The Animated Series, que conseguiu de forma brilhante criar uma nova ideia, um novo universo só que voltado pros games, mudando o que precisa e sem perder a essência de tudo que o Batman tinha. Felizmente, antes dos New 52. Porque ninguém merece.

São jogos que vão além de mostrar o personagem porque você pode muito bem se sentir o personagem. Batman já merecia um jogo desse tipo há gerações e a Rocksteady só atendeu pedidos mostrando uma verdadeira experiência de como SER o morcego.

E não, o Origins não merece estar aqui, porque além dos bugs, os roteiristas (que nem quero saber quem são) colocaram um Batman que "luta pelos amigos" e não pela sua amargura, mostrando um conceito tão genérico e batido que poderia pertencer justamente à quem? Novos 52.

Se bem que podia ser o DC Rebirth.

Meu deus, chega de falar dessas merdas.

E só pra plantar a sementinha do mal, Batman vs Superman é um filme do caralho. E tenho dito.

21 de julho de 2016

E o Tal Story Mode do SFV, Como Tá?

Bom, Street Fighter V saiu, e a polêmica saiu junto com ele. Um online que teve problema nas primeiras 24 horas e que até hoje vimos pessoas relatarem isso de forma totalmente maldosa e mentirosa, afinal de contas, se eu com 1 mega de internet consigo jogar as vezes é sinal que funcionar, funciona.

Mas enfim, eu já falei bagarai do SFV como jogo então hora de falar do tal Cinematic Story Mode.

Pra começo de conversa, esperamos quase 6 meses pra isso, então merece uma meia dúzia de comentários. Eu acho! Mas vamo que vamo!

O Story era uma coisa super rápida e esse Cinematic serve de complemento, nele aprendemos tudo que rolou depois do SFIV mesmo que de forma super vaga e vimos o futuro pelo qual lutamos. E essa referência é só pros fortes.


Seguinte, depois dos eventos do SFIV, onde Seth tenta provar que é alguém mas na verdade é mais ninguém que Arya Stark, ele simplesmente some do mapa e Bison impera novamente como vilão-mor da série, espalhando o caos por aí de levinho até que de repente, durante uma visita de Ryu ao Dhalsim, a primeira Lua Negra surge no céu.

As luas negras nada mais são que 7 "satélites" feitos por hackers e nisso eles vão escurecer tudo, deixando o povo em caos pela falta de iluminação e com isso as forças da Shadaloo andariam pelas ruas assegurando que o terror aumentaria a cada segundo e nisso teríamos alimento suficiente pro Psycho Power do Bison deixá-lo mais gordo que os bolsos dos nossos políticos em plena Lava-Jato.

Com isso uma garotinha hacker espalha 6 peças que lembram parte de um jogo de xadrez pra vários lutadores do mundo e vários grupos vão atrás dessas peças pra impedir os planos de Bison. Porque motivos.

De um lado, temos Karin, Ken, Chun-Li, Guile sendo dirigidos na velocidade da luz por aviões da família Kanzuki no melhor estilo Bruce Wayne em termos de financiamento e temos também outros grupos como o de Helen, que a mando de Urien que reúne Juri, Rashid, Nash, Cammy e temos também o lado de Bison com Balrog, Fang, Vega e seus capachos na garantia de que tudo correrá bem, no meio do caminho vimos Laura, Birdie, Dhalsim e outros que vão se aliando a seus lados que acreditam e assim vai desenrolando os sub-plots de vários personagens.


Ironicamente, pra minha maior surpresa, jogamos mais com Karin a maior parte do tempo, e o mesmo vale pra Rashid que é bem centralizado na trama. E jogamos praticamente nada com Ken ou Ryu, os personagens mais manjados pra esse tipo de coisa, principalmente quando se trata de Street Fighter.

Lembrando que afirmo isso com base no fato que SFIII não teria nenhum personagem antigo e mesmo tendo poucos ainda deu toda aquela polêmica da "falta de clássicos". Então a Capcom aprendeu a lição e fez o V com poucos novatos, alguns clássicos obscuros voltando ainda que de forma bizarra tipo Birdie e durante o Story Mode botou os principais pra escanteio.

Chun-Li, muito me surpreendeu estar sendo retratada como uma afobada, que sai correndo pra cima de Bison sem pensar duas vezes, uma vez que em Alpha 3 ela se aliou a Guile e tudo pra resolver o problema e que problema, ela deveria NO MÍNIMO averiguar a situação antes de sair feito uma louca.


Mas, pra compensar isso, FANG pra quem não sabe, é o substituo de Sagat, e por consequência, o segundo em comando da Shadaloo, ele é o segundo mais forte de bem longe pelo jeito, tanto que Balrog e Vega não o temem, mas evitam se for necessário. Parece que andar com veneno nas mãos é algo que em SF faz muita vantagem, mas na moral, não precisava de um personagem TÃO tosco quanto ele. Ele é incômodo visualmente, falando, movimentando e etc, o fato dele existir é um problema. Mas por sorte, o gameplay dele é excelente. Acho que só isso o salva mesmo.


No mais, a história progride mais ou menos da forma que todos imaginaríamos, exceto o fato de controlarmos raramente Ken e Ryu, o que é um alívio. Mesmo pra mim que gosto deles. Dar espaço pra outros personagens é um dom de poucos, não é mesmo Tekken? Não é mesmo KOF? Não adianta ter 40 mil personagens se só meia dúzia deles tem um merecido destaque.

Mas ai que tá, vamos falar francamente, você que como eu é fã da franquia e entende ela, sabe como ela sempre funcionou e tudo mais, dificilmente vai ficar decepcionado porque é mais ou menos o que estamos acostumados porém com um formato cinemático, acredito que seja a única real diferença. Pros desavisados que esperavam muito mesmo por isso como um modo com enredo profundo e tudo mais, acho que vocês não jogaram Street Fighter, porque sempre foi bem isso aí.

No fim de tudo, dá pra ver que poderia ser melhor, o potencial tá ali, mas não usaram direito, se situaram na zona de conforto com coisas que já esperávamos e fan service, com isso resultou num Story Mode legal e tudo mas não houve nada que fosse um passo pra frente, uma mudança de paradigma ou uma ideia nova plantada pra futuros jogos.



Ou seja, não fede e nem cheira, é legal e tudo mas não faz aqueeeela diferença. Tal como qualquer narrativa da franquia, exceto Alpha 3.

23 de junho de 2016

Metal Gear Solid: Peace Walker - A Mudança de Paradigma

Bem amigos da Mother Base, como estão?

Seguinte, eu bem poderia falar do Portable Ops, uma vez que falei dos 4 primeiros jogos numerados da franquia. Mas... Por que não?



Simples: eu não o terminei. Sequer tive saco pra isso.

Ele é ruim? Não! Ele é bom? Não. Ele é um jogo bom e um MGS ruim? Quase isso. Na verdade, só explicando com detalhes que vocês entenderiam o que senti jogando.

Acontece que apesar da boa narrativa, que nem foi escrita por Kojima, Portable Ops peca fortemente no quesito "jogo". Vocês já devem ter visto milhares e milhares de cidadãos que dizem que MGS é mais filme que jogo, Portable Ops é digamos o contrário, codecs sem dublagem, um bom enredo que segue a passos de tartaruga e um sistema nada prático de recrutar soldados entediam o jogo.

Isso sem contar na bendita obrigação de fazer side missions genéricas, chatas e com game design duvidoso.

Então, com essa recepção duvidosa, Portable Ops ficou no meio do caminho, sendo um dos jogos mais mornos da sua época, algum dia eu termino ele e falo dele com mais calma. Então, com isso, em 2010 foi lançado Peace Walker, um jogo com boa parte das ideias de Portable Ops, mas dessa vez dirigidas por Hideo Kojima, quem tanto amamos e respeitamos como um deus vivo.



A verdade é que Kojima como criador, idealizador e mente brilhante por trás de tudo, gosta das ideias de Portable Ops, e até o consideram canon pra franquia, então fez a sua sequência.

Aqui, em Portable Ops, são 10 anos após os eventos de Snake Eater, e 4 após os de Portable Ops. Snake construiu uma base chamada Militaries San Frontieres, chamada de MSF porque ninguém merece esse nome gigante.

A MSF era uma nação militar, parte das ideias mal interpretadas por Snake no último pedido de sua mentora The Boss. Ideias que ele insistiu até boa parte do fim de PW, quando finalmente entendeu  o que ela queria.  Essa nação, foi reconstruindo aos poucos e de repente recebem uma missão de Zardonov, um cara da KGB que pediu uma certa missão à Snake, e junto com ele levou Paz Ortega, Paz é uma agente da paz que carrega consigo um trocadlho de bosta com o nome dela e com o nome do jogo.


A recompensa era simples, uma base inteira. E recursos pra ela. Logo, com o passar do jogo vamos aprendendo a usar esses novos recursos entre eles o Fulton. Um balão (mágico) que colocamos nas costas de soldados parcialmente feridos ou com lindos efeitos de tranquilizante e bingo, eles saem voando em direção à Mother Base.

Se eles aceitam entrar? Claro que sim. Isso é um mero aspecto mecânico, não cobre lógica disso, do contrário, terá de cobrar de muitas outras coisas que deixam MGS uma franquia tão única. Então, cale-se.

Junto com soldados, ganhamos novas áreas na base, desenvolvimento, criação, medicinal, inteligência e etc. Tudo isso em prol de ganhar recursos, armas novas, melhorar as que já temos e etc. Uma puta ideia pra te manter preso jogando.

A história é boa, muito boa, mas é óbvio que deram uma "importância menor" pra ela em comparação aos outros, algo que só piora de vez em Phantom Pain, que já terminei e em breve falo dele. Mas não, ela não é ruim. Mas tem um ponto... Bem... Vejamos... Estúpido. Sim. Isso é a palavra chave.



Não acho aceitável o que fizeram com a The Boss no jogo, é forçado demais pra mim. Mas todo o resto é realmente muito bom. Agora, pra ser "menos filme" e mais jogo, MGS PW tem consigo uma ideia de dividir o jogo em missões, uma notável limitação de hardware do PSP, e que não impediu o jogo de ser assustadoramente lindo.

As missões principais e extra ops do jogo são incríveis (chupa Portable Ops) permitem um período bem grande de jogatina e diversão, exceto pelos controles do PSP que são hediondos em alguns pontos.

É normal mirar com R e atirar com quadrado, mas é horrível controlar o personagem com o disco analógico do PSP e virar a câmera com o D-Pad, e as batalhas com chefes são impiedosamente difíceis então exige um reflexo que raramente os controles colaboram a não ser que você seja fissurado por huntin' games do PSP como Monster Hunter.

Estranhamente fica mais tranquilo se souber pedir recursos (o que vai usar MUITO), depois de algumas horas de jogo e PRINCIPALMENTE quando se faz as extra ops e adquiri o necessário pra criar novas armas. Isso é bom e ruim, bom pra quem quer jogar e ruim pra quem sente a experiência da narrativa de MGS acima da mecânica. No meu caso, eu gosto dos dois e não tive problemas mas era um saco em alguns casos, mas foram casos raros. A curiosidade do enredo me fazia jogar e a mecânica era agradável apesar do lance da câmera, que frequentemente eu tinha que lembrar o quanto era difícil nos chefes.



Mas... Apesar de tudo, muita gente se incomodou com a obrigação de evoluir no jogo, pra pegar armas ou melhorar o esquadrão o suficiente pra fazer elas, mas eu achei simples. A cada missão eu pegava um certo número de soldados e enviava pelo Fulton, com isso eventualmente cheguei num ponto onde mais sobrava que faltava, e eu mesmo distribuindo pelo sistema automático do jogo, não foi o menor problema.

O maior problema do jogo nesse ponto ao meu ver é a idiotice que se é necessário pra ver o verdadeiro final do jogo. Ao zerar, ele não conclui "totalmente". Snake entende a mensagem da The Boss e o jogo continua (????).

Porém, há de ser feito várias coisas pra se ver a missão final e não dá pra falar sem spoiler, mas são coisas TÃO específicas e relativamente bobas pra enfrentar um robô pilotado por uma pessoa doida de biquini (não, não é uma piada, definitivamente [e infelizmente] não), que vai te fazer se perguntar se valeu à pena.

E o pior é que vale. O final real é bem legal. A batalha final é uma das melhores lutas do jogo e simplesmente vale o esforço, mas o jogo mal te orienta a fazer o que é necessário pra isso. Então existe uma "falta de direção".

Impressionante como tudo nesse jogo funciona bem pra um portátil até certo ponto e como a imersão dele é alta, isso inclui cenários, músicas, chefes (que são todos robôs) e etc; Peace Walker é de fato um MGS de portátil digno, que merecia uns ajustes.



E recebeu, na versão HD do jogo, adquirida somente se comprar o HD Collection e ainda vem com o 2 e 3 em HD remasterizado. Ou seja, os poucos problemas do jogo, foram totalmente arrumados.

Menos a parte da The Boss... Mas isso aí é algo imutável. Infelizmente.

Bom, acho que o próximo post de Metal Gear é sobre Phantom Pain, afinal, Ground Zeroes é a miséria manifestada em forma de jogo quando se trata de campanha apesar da vida útil dele não ser tão curta quanto insistem em dizer.

Porém, papo pra outro dia.